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Equipe vai propor diretrizes para futuros editais e prorrogações contratuais
 

Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) instituiu um Grupo de Trabalho (GT) para harmonizar as regras aplicáveis às concessões de portos, aeroportos e hidrovias. A iniciativa busca ampliar a segurança jurídica, aumentar a previsibilidade regulatória e tornar os projetos de infraestrutura mais atrativos para investidores.

Durante o evento, o ministro da pasta, Tomé Franca, destacou que, embora os três setores possuam características próprias, é necessário avançar em diretrizes comuns para fortalecer o ambiente regulatório das concessões realizadas pelo MPor.

“O nosso objetivo não é criar nenhum tipo de ruptura, mas, ao contrário, gerar uma coerência entre os modos de transportes. Naturalmente, respeitando as especificidades de cada setor, mas, naquilo que é fundamental, estruturante, a gente entende que é possível construir uma inteligência regulatória que traz as experiências de cada setor”, afirmou.

O Grupo de Trabalho será responsável por avaliar a possibilidade de harmonização das regras aplicadas aos diferentes modais administrados pelo MPor, considerando os impactos econômicos e regulatórios da medida. O colegiado também deverá analisar aspectos relacionados à segurança jurídica, com base em precedentes do Tribunal de Contas da União (TCU).

No caso das prorrogações contratuais, o GT deverá propor diretrizes voltadas à ampliação de vantagens econômicas para o Estado, à realização de novos investimentos e à melhoria da prestação dos serviços oferecidos à população.

Do ponto de vista econômico, a uniformização das regras tende a reduzir a percepção de risco por parte dos investidores, contribuindo para diminuir o custo médio ponderado de capital dos projetos. A medida também pode ampliar a atratividade das concessões e facilitar o financiamento de novos empreendimentos de infraestrutura.

“O governo conseguiu apresentar bons projetos, nós conquistamos nos últimos anos uma estabilidade institucional, que é importante. A relação com o Poder Executivo, com os tribunais, isso é importante para quem está investindo no Brasil e, naturalmente, o fortalecimento das agências para poder dar estabilidade regulatória. Esse tripé é fundamental para que a gente possa ir consolidando e crescendo esse ciclo de infraestrutura”, acrescentou o ministro.

Estrutura e funcionamento

O Grupo de Trabalho das Concessões será coordenado pela Assessoria Especial do Gabinete Ministerial e contará com representantes da Secretaria-Executiva, da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação (SNHN), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Especialistas e entidades externas poderão ser convidados a participar das discussões, sem direito a voto. A participação no GT é considerada prestação de serviço público relevante, sem remuneração.

Para o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Tiago Faierstein, a integração promovida pelo grupo fortalece a infraestrutura nacional como um todo: “Não tem nenhum caso no mundo de setor desenvolvido sem a ajuda do Estado. E não existe país desenvolvido sem setores portuário e aeroportuário desenvolvidos. O que está sendo feito aqui é uma coisa que também não é cultural historicamente, que é a integração. A gente precisa atrair investimento, precisa conversar com o setor privado e entender como a gente cria um ambiente favorável”, afirmou.

“Um dos jeitos mais fortes de pensar em soluções diferenciadas é quando a gente senta à mesa junto e discute. E quanto maior for a diversidade, como é aqui, melhor. A gente tem que pensar no social, que é a única forma que o país vai crescer”, complementou a diretora substituta da Antaq, Cristina Castro.

O setor privado foi representado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), entidade de maior representação do segmento de transporte e logística no Brasil: “Isso demonstra para a gente uma abertura de todo mundo e o interesse de trazer o setor privado para contribuir com os debates. De fato, a gente acredita em um resultado perene e promissor”, destacou a assessora governamental da CNT, Dim Michelle Rodrigues.

O GT terá prazo de 90 dias para apresentar relatório final com os estudos desenvolvidos e propostas de diretrizes para políticas públicas e aperfeiçoamento normativo.

FONTE: MPOR

IMAGEM: Denis Rocha/Marinha do Brasil

O MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) avalia a reativação da hidrovia do rio Rio São Francisco como estratégia para reduzir custos logísticos e melhorar o abastecimento de cidades do interior. O projeto é desenvolvido em conjunto com a Codeba (Companhia das Docas do Estado da Bahia) e prevê a retomada do transporte de cargas ao longo de um trecho navegável de 1.371 quilômetros, entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

A iniciativa busca ampliar a eficiência no escoamento de mercadorias e reduzir o impacto do transporte no preço final de produtos, especialmente alimentos. A expectativa é que o modal favoreça a regularidade no abastecimento, além de estimular economias locais e gerar empregos nos setores de logística, comércio e serviços.

De acordo com o ministério, a hidrovia tem potencial para atender cerca de 505 municípios e 11,4 milhões de pessoas, com estimativa inicial de movimentação de até 5 milhões de toneladas no primeiro ano de operação. Entre as cargas previstas estão grãos como soja, milho e algodão, além de fertilizantes e outros insumos agrícolas.

O projeto inclui melhorias na navegabilidade do rio, ampliação da infraestrutura e implantação de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte, com o objetivo de ampliar o acesso de municípios ribeirinhos ao transporte hidroviário.

A gestão da hidrovia deverá ser transferida do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para a Codeba, em articulação com a ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

FONTE: INFRA

IMAGEM: CNN/MEKA

China confirma ataque a petroleiro no Estreito de Ormuz no início desta semana

O Ministério das Relações Exteriores da China confirmou nesta sexta-feira que um navio-tanque carregado com produtos petrolíferos e tripulação chinesa foi atacado no Estreito de Ormuz e expressou profunda preocupação com as embarcações afetadas pelo conflito em curso no Oriente Médio.

Há cidadãos chineses a bordo da embarcação, mas até o momento não há relatos de vítimas entre a tripulação, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, durante uma coletiva de imprensa regular.

A mídia chinesa Caixin noticiou na quinta-feira que um navio-tanque de produtos petrolíferos de propriedade chinesa, com a inscrição “CHINA OWNER & CREW”, foi atacado perto do Estreito de Ormuz na segunda-feira.

O ataque ocorreu antes de uma  reunião  entre o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, em Pequim, na quarta-feira, quando discutiram a reabertura do estreito.

A China continua sendo uma das principais compradoras de petróleo iraniano desde o início da guerra com o Irã, e suas importações do Irã permaneceram praticamente  inalteradas  em março.

A  embarcação atacada  ainda não foi oficialmente identificada.

Fontes de segurança marítima disseram acreditar que a embarcação danificada era o navio-tanque de produtos petrolíferos e químicos JV Innovation, com bandeira das Ilhas Marshall, que relatou um incêndio no convés a navios próximos na segunda-feira.

O incidente ocorreu ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos, no Golfo Pérsico, perto de Mina Saqr, segundo o relatório.

O conflito entre os Estados Unidos e o Irã deixou centenas de navios e cerca de 20.000 marinheiros  presos  no Golfo Pérsico, enquanto o tráfego pelo Estreito de Ormuz foi severamente prejudicado por novos ataques a embarcações nesta semana.

Os Estados Unidos e o Irã  voltaram a trocar tiros  na quinta-feira, enquanto Washington aguardava a resposta de Teerã a uma proposta americana que visava cessar-fogo, deixando, por ora, questões controversas, incluindo o programa nuclear iraniano, sem solução.

FONTE: REUTERS

 

Nesta quarta-feira, 29 de abril, a Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública para debater a instituição do Dia Nacional da Mulher no Setor Marítimo, a ser comemorado, anualmente, no dia 18 de maio.

As discussões sobre o Projeto de Lei 5049/2025 e a participação feminina na atividade marítima ocorreram em Brasília, por iniciativa da deputada federal Jandira Feghali – autora do PL.

O objetivo da proposição é valorizar a presença feminina na marinha mercante, seja de trabalhadoras embarcadas ou daquelas que atuam em terra.

A coordenadora do Sindmar Mulheres, Cecília Rodrigues, e a diretora para Assuntos de Gênero e Juventude da Conttmaf, Lorena Silva, representaram as trabalhadoras do setor na ocasião.

Conforme ressaltou Cecília, a instituição do Dia Nacional das Mulheres no Setor Marítimo reconhece a trajetória delas e, ao mesmo tempo, lança luz sobre os desafios.

Sobre os problemas enfrentados pelas trabalhadoras marítimas ao longo dos anos, Lorena listou situações de desrespeito e falta de adequação do setor à presença das mulheres.

O Projeto de Lei teve parecer aprovado pela Comissão de Cultura da Câmara (CCULT) em março deste ano.

Com a realização da audiência pública desta quarta-feira, a proposta deverá ser apreciada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) para, depois, ser votada pelo Congresso.

IMAGEM: SPLASH247.COM

O governo Trump lançou uma iniciativa formal para desenvolver pequenos reatores modulares (SMRs, na sigla em inglês) para o transporte marítimo comercial, instruindo a Administração Marítima a consultar a indústria e os inovadores sobre como a propulsão nuclear poderia ser implantada em larga escala nas frotas americanas.

O secretário de Transportes, Sean Duffy, anunciou a iniciativa na quinta-feira. A MARAD (Administração Marítima da Marinha Mercante) emitiu uma solicitação de informações buscando contribuições sobre como tornar a tecnologia de SMR (Reatores Modulares Pequenos) comercialmente viável para a marinha mercante, abrangendo tudo, desde o projeto do reator e a redução de custos até os marcos regulatórios, o acesso a portos e o desenvolvimento da força de trabalho.

A iniciativa visa seis áreas: implantar energia de alta potência para permitir que os navios viajem mais longe e mais rápido; reduzir os custos de combustível por meio da propulsão nuclear; reforçar as cadeias de suprimentos americanas e a independência energética; identificar métodos de implantação escaláveis ​​em frotas inteiras; integrar a produção de SMR (Reatores Modulares Pequenos) em estaleiros dos EUA com novos padrões de credenciamento; e estabelecer as estruturas de responsabilidade, seguro e inspeção necessárias para o acesso portuário sem problemas antes do início da construção.

“Sob a liderança do Presidente Trump, os EUA estão recuperando o lugar que lhes cabe como potência marítima global”, disse Duffy. “Ao estabelecer parcerias com especialistas do setor e pensadores inovadores para desenvolver um modelo robusto de SMR (Reator Modular Pequeno), entregaremos uma fonte de energia de última geração que reduz custos e fortalece a segurança nacional.”

O administrador da MARAD, Stephen Carmel, adotou um tom mais técnico, sinalizando que o governo compreende a dimensão da transição envolvida. "Para introduzir com sucesso os SMRs, devemos encarar isso sob a ótica da transição sistêmica, e não apenas como uma demonstração tecnológica", afirmou. "Buscamos informações cruciais sobre como o governo pode ajudar a reduzir a incerteza sistêmica, alinhar as estruturas regulatórias e criar as condições de mercado necessárias para que o capital privado e as operadoras expandam a escala dessas tecnologias inovadoras."

A MARAD trabalhará com a Guarda Costeira dos EUA, a Comissão Reguladora Nuclear e o Departamento de Energia nesta iniciativa, complementando o processo de Solicitação de Informações (RFI) com workshops públicos, sessões de escuta e intercâmbios técnicos.

FONTE: SPLASH247.COM

 

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A estrutura Net Zero da Organização Marítima Internacional saiu fragilizada, mas intacta, de uma semana crucial de negociações em Londres, com a maioria dos Estados-membros reafirmando-a como base para trabalhos futuros – revertendo, por uma margem semelhante, a votação que levou ao seu adiamento em outubro passado.

A MEPC 84, que terminou em 1º de maio após cinco dias na sede da IMO, contou com a participação de quase 100 delegações que se manifestaram sobre o futuro da estrutura. Ao final, 55 países se pronunciaram a favor da Estrutura de Emissões Líquidas Zero e seu mecanismo crucial de precificação de carbono, enquanto 51 se mostraram favoráveis ​​a propostas para reabri-la ou enfraquecê-la substancialmente incluindo a remoção completa do preço do carbono. O comitê concordou em convocar duas reuniões intersessionais de grupos de trabalho, em setembro e novembro, antes da MEPC85 no final de novembro, com uma sessão extraordinária retomada prevista para 4 de dezembro.

Ao encerrar a reunião, o secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, mostrou-se ponderado, mas resoluto. “Estamos de volta aos trilhos, mas precisamos reconstruir a confiança. Encorajo-os a manter esse ímpeto por meio do trabalho intersessional e a preparar propostas que possam unir os membros”, afirmou.

Uma análise do Grupo de Pesquisa em Transporte Marítimo e Oceanos da UCL, que acompanhou de perto a reunião, constatou que a opinião pública havia oscilado significativamente em direção à estrutura. Cinco países que haviam apoiado o adiamento na sessão extraordinária de outubro passado voltaram a apoiar a NZF, enquanto 10 países que haviam se abstido ou não se posicionado agora a apoiam claramente. Apenas dois países se moveram na direção oposta.

As propostas alternativas apresentadas pelo Japão e pela Argentina não tiveram boa aceitação. A proposta japonesa de eliminar o componente de precificação de carbono atraiu o apoio de apenas sete Estados-membros, enquanto a proposta liderada pela Argentina – que eliminaria tanto o preço do carbono quanto o fundo – obteve 24 votos. Nenhuma delas, individualmente ou em conjunto, conseguiu formar maioria simples.

O professor Tristan Smith, da UCL, afirmou que a falha dos oponentes da NZF em aproveitar o momento foi significativa. “Para os oponentes de uma regulamentação significativa e eficaz da IMO sobre gases de efeito estufa, esta foi uma oportunidade para concluir o que começaram na MEPC.ES2. A sua incapacidade de fazê-lo é crucial para o sucesso futuro do transporte marítimo e do comércio, bem como para o futuro do multilateralismo e para as chances de uma transição energética equitativa.”

A Dra. Pinar Langer, também da UCL, afirmou que a reunião esclareceu o caminho a seguir. “O MEPC84 sugere que há pouco interesse em recomeçar do zero ou em adotar uma alternativa muito mais fraca. O caminho mais viável agora parece ser o de aprimoramentos direcionados à Estrutura de Emissões Líquidas Zero acordada, preservando os elementos que a tornam significativa e eficaz.”

Thomas Kazakos, secretário-geral da Câmara Internacional de Navegação (ICS), saudou o tom da semana, embora tenha reconhecido que ainda existem obstáculos significativos. "O diálogo construtivo que ocorreu esta semana é extremamente bem-vindo, embora seja evidente que muitos Estados-Membros ainda não conseguem adotar um quadro regulamentar global sem que sejam feitos ajustes adicionais", afirmou, acrescentando que a ICS pretende contribuir com ideias antes da reunião intersessional de setembro sobre como obter o apoio mais amplo necessário.

Além da NZF, o comitê adotou uma nova Área de Controle de Emissões para o Atlântico Nordeste, introduzindo limites mais rigorosos para óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio e material particulado nas zonas econômicas exclusivas da Groenlândia, Islândia, Ilhas Faroé, Irlanda, Reino Unido, França, Espanha e Portugal. A ECA entra em vigor em 2028. O comitê também adotou uma resolução condenando os ataques à navegação comercial no Estreito de Ormuz e alertando para o risco de poluição marinha em larga escala causada por mísseis, drones, incêndios e explosões no Golfo Pérsico, uma região ecologicamente vulnerável.

Outras decisões incluíram um novo código obrigatório para o transporte de grânulos de plástico em contêineres de carga, diretrizes atualizadas para o gerenciamento de água de lastro e um acordo de princípio para estender a fase de coleta de dados sobre ruído irradiado subaquático por dois anos, até 2028.

A sobrevivência da estrutura trouxe alívio, senão comemoração, aos observadores ambientais. "A NZF sobreviveu, mas sobreviver não é uma vitória", disse Em Fenton, da Opportunity Green, "e não podemos acabar num ciclo de negociações intermináveis."

FONTE: SPLASH247.COM

IMAGEM: ANATC

Conselho diretor do fundo priorizou valores para 4 navios-tanque da Transpetro e para fase inicial do complexo portuário no Espírito Santo. Construção de novas embarcações concentrou R$ 3,3 bilhões, de um total de R$ 6 bilhões analisados na 62ª reunião ordinária do CDFMM
 

O Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) priorizou cerca de R$ 6 bilhões para financiamentos do setor naval e de infraestrutura, sendo R$ 3,3 bilhões para construção de novas embarcações. Do total analisado, R$ 2,6 bilhões são destinados à construção de embarcações de transporte de carga, com destaque para prioridade de R$ 2,2 bilhões para quatro navios tanque tipo MR1 (Medium Range 1) para transporte de produtos claros e escuros de petróleo que, futuramente vão aumentar a frota da Transpetro.

Essa licitação, que está em curso, foi lançada em novembro de 2025, e faz parte do programa Mar Aberto, do Sistema Petrobras. Após os critérios de equalização de custos, a Ecovix, proprietária do Estaleiro Rio Grande (RS), foi considerada a primeira colocada neste certame, que segue em análise por parte da comissão de licitação da subsidiária da Petrobras.

No mesmo segmento de carga, foi concedida prioridade de R$ 227,7 milhões para a GDE Transportes para a construção de 21 balsas-tanque, sendo 9 de 1.500 m³ e 12 de 4.500 m³, no estaleiro Juruá (AM). A Navegação Aliança, obteve prioridade e R$ 136,9 milhões, para construção de 3 navios graneleiros de 4.700 toneladas, no estaleiro Enseada (BA). Já a Companhia de Navegação da Amazônia (CNA) tem uma prioridade de R$ 23,4 milhões para a construção de 5 barcaças graneleiras tipo racked, 2.400 TPB, no RBA Estaleiro da Amazônia, com valor total de R$ 23,4 milhões.

Porto Central

Outros R$ 2,2 bilhões correspondem à construção da primeira fase (1A) do Porto Central, em Presidente Kennedy (ES). Por ser um projeto de infraestrutura, foi estabelecida uma espécie de ‘contenção’ de até 48% de financiamento, conforme portaria 747/2025 do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que prevê um limite ao valor concedido para financiamento para projetos portuários, de forma a garantir a maior parte do orçamento para projetos da indústria naval.

Essas deliberações ocorreram na 62ª reunião ordinária do CDFMM, realizada no último dia 18 de março de 2026, na modalidade híbrida. O detalhamento foi publicado em resolução do CDFMM no Diário Oficial da União desta terça-feira (5), quando começa a ser contabilizado o prazo de 450 dias para que os interessados busquem o crédito junto aos agentes financiadores do fundo setorial.

Além dos R$ 4,8 bilhões para projetos de construção de embarcações de transporte de carga e obras de infraestrutura portuária, foi priorizado na reunião um total de R$ 1,3 bilhão para outros segmentos, dos quais R$ 614,7 milhões para construção de embarcações de apoio à navegação. Este valor compreende R$ 462,1 milhões pleiteados para a Wilson Sons para a construção de 6 rebocadores RSD 2513, de 80 toneladas de tração estática (TTE), em seu estaleiro, no Guarujá (SP). Além de R$ 152,6 milhões para a GDE Transportes referente à construção de 14 empurradores fluviais, sendo 9 de 600 hp, 2 de 900 hp e 3 de 1.200 hp, no estaleiro Juruá (AM).

Docagem

Projetos de Docagem, reparo e manutenção concentraram R$ 423,6 milhões das prioridades, em grande parte para embarcações de apoio marítimo da CBO e Wilson Sons. A primeira recebeu duas prioridades, sendo uma de R$ 160,5 milhões para a docagem de 12 embarcações de apoio marítimo (CBO Parintins, CBO Copacabana, CBO Alessandra, CBO Oceana, CBO Renata, CBO Arpoador, CBO Itajaí, CBO Aliança, CBO Wiser, Siddis Sailor, CBO Mistral e CBO Carolina.

A outra, de R$ 26,3 milhões, referente à docagem de outras duas embarcações de apoio marítimo — AH Varazze e CBO Wave. Ambas preveem serviços no estaleiro do grupo, Aliança (RJ). Já a prioridade da Wilson Sons está associada ao reparo com docagem/classificação de 17 rebocadores, no estaleiro do grupo no Guarujá (SP), com valor total de R$ 170 milhões.

O CDFMM também concedeu para a Belov Engenharia prioridade de docagem do OTSV Belov Mares, no estaleiro São Miguel (RJ) e para docagem de 2 SDSV (Belov Humaitá e Belov Cidade Ouro Preto), no Estaleiro São José, com valor total de R$ 33,8 milhões. A Finarge Apoio Marítimo pretende realizar a docagem de duas embarcações de apoio marítimo, denominadas AH Giorgio P e AH Liguria, no estaleiro Aliança (RJ), do grupo CBO, com valor total priorizado de R$ 27 milhões. Já a Camorim obteve um total de R$ 6 milhões em prioridades para a manutenção e reparo de 3 rebocadores: C Itacuruçá, no estaleiro Belov (BA), C Turquesa no Eram (PA) e o Atlântico no Estaleiro Camorim (RJ), com valor total de R$ 6 milhões.

O conselho do FMM priorizou ainda R$ 97,8 milhões para expansão de modernização do estaleiro Farol de São Tomé, que compreende a expansão da instalação industrial, localizado no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), no Norte Fluminense. No segmento de apoio marítimo, a Oceânica Engenharia e Consultoria obteve prioridade de R$ 81 milhões para a construção de um PSV (transporte de suprimentos), no estaleiro Enav Reparo Naval.

Duas empresas que pretendem modernizar embarcações conseguiram prioridades para essa finalidade. A Belov Engenharia, com projeto de modernização de 3 SDSV (Belov Amaralina, Belov Humaitá e Belov Cidade Ouro Preto), no Estaleiro São José, com valor total de R$ 34,9 milhões. Além da Galáxia Navegação, com o pleito de financiamento para a modernização de 1 OSRV (GNL 1015), no estaleiro São Miguel (RJ), com valor total de R$ 5 milhões.

FONTE: Portos e Navios – Danilo Oliveira

IMAGEM: ABAC/DIVULGAÇÃO

Cabotagem pode reduzir até 8,2% das emissões no transporte de cargas e ampliar eficiência logística no Brasil, aponta CNI

O transporte de cargas por cabotagem no Brasil pode se tornar um dos principais vetores de redução de emissões e eficiência logística nos próximos anos. De acordo com estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o modal marítimo tem potencial para reduzir em até 8,2% as emissões líquidas de CO₂ do setor de transporte de cargas no país.

A análise reforça o papel estratégico da navegação costeira como alternativa ao transporte rodoviário, especialmente em um país com mais de 8 mil quilômetros de litoral.

Potencial de crescimento pode quadruplicar movimentação de contêineres

O estudo aponta que o Brasil possui condições para quadruplicar o volume de contêineres transportados por cabotagem no longo prazo, desde que haja avanços estruturais e regulatórios.

Entre os principais requisitos estão:

  • Ampliação da infraestrutura portuária
  • Melhoria no acesso aos portos
  • Criação de novas rotas regulares
  • Redução da burocracia operacional
  • Mudança na cultura logística das empresas

Em um cenário mais conservador, considerando apenas os portos já habilitados, o volume poderia crescer 163%, com redução estimada de 4,5% nas emissões do setor de transportes.

Cabotagem pode reduzir custos e melhorar eficiência logística

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a cabotagem representa uma oportunidade estratégica para o Brasil aproveitar sua geografia e fortalecer a competitividade da indústria.

Segundo o estudo, o modal marítimo emite, em média, entre 12% e 15% do CO₂ gerado pelo transporte rodoviário para o mesmo volume de carga.

Além da redução de emissões, a migração de cargas de longa distância para o transporte marítimo também contribui para:

  • Redução de acidentes rodoviários
  • Menor índice de roubo de cargas
  • Diminuição de avarias
  • Redução de congestionamentos
Integração entre modais é chave para eficiência do transporte no país

A eficiência logística varia conforme a distância:

  • Até 500 km: transporte rodoviário é mais competitivo
  • Entre 500 km e 1.500 km: ferrovia ganha vantagem
  • Acima de 1.500 km: cabotagem se destaca como alternativa mais eficiente

Na comparação direta entre rodovias e cabotagem, a vantagem do modal marítimo começa a partir de 850 km a 1.050 km, dependendo do tipo de carga.

Brasil ainda utiliza pouco a cabotagem na matriz de transportes

Apesar do potencial, a cabotagem representa apenas 9% do transporte de cargas no Brasil, percentual inferior a economias com grandes litorais, como:

  • Japão: 44%
  • União Europeia: 32%
  • China: 25%

Atualmente, a matriz brasileira é dominada pelo modal rodoviário, que responde por 66,2% do transporte de cargas, seguido pelo ferroviário (17,7%) e pela cabotagem (9,2%).

Burocracia e gargalos estruturais limitam expansão do modal

O estudo também aponta entraves operacionais que dificultam a expansão da cabotagem no país. Entre os principais gargalos estão:

  • Excesso de exigências documentais, similares ao transporte internacional
  • Atuação de múltiplos órgãos reguladores (Anvisa, Receita Federal, Marinha, entre outros)
  • Deficiências de acesso aos portos
  • Necessidade de dragagem e modernização portuária
  • Limitação de capacidade dos terminais

Esses fatores podem gerar atrasos operacionais e até desvio de cargas para o transporte rodoviário, elevando custos logísticos.

Além disso, o estudo destaca a baixa familiaridade do setor produtivo com o modal, resultado da forte dependência histórica das rodovias no país.

Experiências de grandes empresas mostram viabilidade da cabotagem
 

Apesar dos desafios, empresas como ArcelorMittal, Grupo Moura, Mondeléz e Stellantis já utilizam a cabotagem e relatam ganhos em eficiência logística e previsibilidade de transporte.

Esses casos indicam que, quando bem estruturado, o modal pode se tornar uma alternativa competitiva dentro da cadeia de suprimentos nacional.

Marco Legal da Cabotagem avança, mas setor pede equilíbrio regulatório

O Marco Legal da Cabotagem (Lei 14.301/22) foi destacado pela CNI como um avanço importante para estimular o setor e fortalecer a indústria naval brasileira.

A regulamentação mais recente, publicada em 2025, incluiu critérios de sustentabilidade para embarcações e já resultou na entrada de novas empresas e ampliação da frota.

No entanto, especialistas alertam que exigências excessivas podem gerar o efeito contrário ao desejado.

Segundo o especialista em infraestrutura da CNI, Ramon Cunha, regras muito rígidas podem aumentar custos e burocracia, reduzindo a competitividade do modal frente ao transporte rodoviário.

Ele reforça que a cabotagem já é significativamente mais eficiente do ponto de vista ambiental, sendo até seis vezes menos poluente que o transporte rodoviário, considerando distância e volume transportado.

Cabotagem como vetor de competitividade e descarbonização no Brasil

O estudo conclui que a expansão da cabotagem representa uma oportunidade estratégica para o Brasil avançar na redução de emissões, melhoria da logística e diminuição do Custo Brasil.

Com maior integração entre modais e investimentos em infraestrutura, o país pode transformar sua extensa costa em um ativo logístico decisivo para a competitividade do agronegócio e da indústria.

FONTE: Portal do Agronegócio

IMAGEM: CIABA
 

A Diretoria de Portos e Costas (DPC) ajustou o número de vagas para início do Curso de Aperfeiçoamento para Oficial de Náutica (APNT 1/2026) de 30 para 35. Os novos convocados, que já faziam parte da relação de inscritos, se apresentaram na última segunda-feira, dia 4 de maio.

As aulas são realizadas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), em Belém, no Pará.

O APNT permite ao 1º oficial de náutica (1ON) assumir o posto de capitão de cabotagem (CCB), adquirir experiência no comando de uma embarcação na costa brasileira e, futuramente, ascender à categoria de capitão de longo curso (CLC).

“Estamos sempre atuando para possibilitar aos nossos representados uma oportunidade de avançar na carreira, e a Marinha tem atendido às nossas demandas neste sentido”, disse o diretor de Educação e Formação Profissional, José Serra.

Além do APNT, o Sindmar acompanha, com atenção, o acesso dos oficiais aos cursos de APMA e outros de interesse da categoria.

IMAGEM:  PORTOS DO PANAMA

O secretário de Estado Marco Rubio divulgou na segunda-feira uma declaração conjunta com cinco governos da América Latina e do Caribe, manifestando apoio à soberania do Panamá e condenando a pressão relacionada a ações recentes contra embarcações com bandeira panamenha, que intensificam uma disputa marítima que tem se deslocado cada vez mais das concessões portuárias para o transporte marítimo global e a geopolítica.

Emitido em conjunto pelos Estados Unidos, Bolívia, Costa Rica, Guiana, Paraguai e Trinidad e Tobago, o comunicado afirma que os governos estão "monitorando com vigilância" o que chamaram de "pressão econômica direcionada" da China, após a decisão do Panamá, no início deste ano, de retirar a CK Hutchison Holdings do controle dos terminais de Balboa e Cristóbal, que margeiam o Canal do Panamá.

Os governos afirmaram que as ações recentes que afetaram navios com bandeira do Panamá foram "uma tentativa flagrante de politizar o comércio marítimo e infringir a soberania das nações do nosso hemisfério".

“O Panamá é um pilar do nosso sistema de comércio marítimo e, como tal, deve permanecer livre de qualquer pressão externa indevida”, diz o comunicado. “Qualquer tentativa de minar a soberania do Panamá representa uma ameaça para todos nós.”

A declaração conjunta surge na sequência da crescente preocupação com o que autoridades americanas e observadores do setor marítimo descrevem como um aumento acentuado da pressão sobre a navegação com bandeira do Panamá.

Em março, a presidente da Comissão Marítima Federal, Laura DiBella,  alertou que a China estava usando as inspeções de controle portuário para pressionar o Panamá após a disputa portuária no canal.

Os dados analisados ​​pelo  The Loadstar  aumentaram essas preocupações, mostrando que embarcações com bandeira do Panamá foram responsáveis ​​por 91 das 123 detenções de navios em portos chineses em março, sob o regime do Memorando de Entendimento de Tóquio — um aumento abrupto em relação aos níveis de janeiro e fevereiro e uma concentração que chamou a atenção de toda a indústria naval.

Embora as detenções por controle do Estado do porto estejam formalmente ligadas à segurança e à conformidade, o momento do aumento repentino, após a destituição de Hutchison e em meio ao crescente atrito diplomático, alimentou alegações de que a regulamentação marítima está sendo usada como moeda de troca em uma disputa geopolítica mais ampla.

Essa disputa remonta a janeiro, quando a Suprema Corte do Panamá invalidou o arcabouço legal que sustentava as concessões da Hutchison, vigentes há décadas, levando as autoridades a assumirem o controle dos dois terminais estratégicos.

Em regime de concessão temporária, a APM Terminals, parte da AP Moller – Maersk, assumiu o controle de Balboa, enquanto a Terminal Investment Limited, controlada pela Mediterranean Shipping Company, assumiu as operações em Cristóbal, aguardando um novo acordo de concessão.

Desde então, a Hutchison iniciou processos de arbitragem contra o Panamá e a Maersk, enquanto Pequim criticou a expulsão da operadora ligada a Hong Kong e rejeitou as acusações dos EUA sobre a detenção de navios.

FONTE: GCAPTAIN

IMAGEM:  MARINE TRAFFIC

O grupo de transporte marítimo francês CMA CGM informou nesta quarta-feira que um de seus navios, o San Antonio, foi alvo de um ataque enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz, resultando em ferimentos entre os tripulantes e danos à embarcação.

O incidente, que segundo a CMA CGM ocorreu na terça-feira, é a mais recente interrupção na crucial rota de navegação durante o conflito no Oriente Médio. A guerra bloqueou centenas de embarcações e praticamente paralisou cerca de 20% do comércio global de petróleo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na terça-feira que suspenderia brevemente uma operação de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz, citando "grandes progressos" rumo a um acordo abrangente com o Irã.

A CMA CGM informou que os tripulantes feridos do navio San Antonio foram evacuados e estão recebendo atendimento médico. A empresa se recusou a comentar mais sobre o incidente.

A CMA CGM havia relatado no mês passado que uma de suas embarcações foi alvo de tiros de advertência no estreito, embora nenhum membro da tripulação tenha ficado ferido.

A empresa francesa, a terceira maior companhia de transporte marítimo de contêineres do mundo, indicou que 14 de seus navios ficaram retidos no Golfo Pérsico no início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã. Um navio, o CMA CGM Kribi, saiu do Estreito de Ormuz no início de abril.

De acordo com dados de transporte marítimo, o navio San Antonio, com bandeira maltesa, tem como destino Mundra, na Índia.

FONTE: REUTERS

IMAGEM: ÂMBITO JURÍDICO

Mulheres ganham 21,3% menos do que os homens no país, segundo relatório da Lei da Igualdade Salarial

Desigualdade se mantém estável desde 2023, mas outros indicadores mostraram melhora. 

A diferença salarial entre homens e mulheres no Brasil é de 21,3% nas 53,5 mil empresas com mais de cem funcionários, segundo o 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

Apesar de a desigualdade se manter estável —de cerca de 20%—, a contratação feminina cresceu 11% desde 2023, quando os dados começaram a ser medidos após a publicação da Lei da Igualdade Salarial, em julho daquele ano.

A remuneração média das mulheres é de R$ 3.965,94, enquanto dos homens chega a R$ 5.039,68.

Segundo o relatório, em 2023, as mulheres recebiam, em média, 20,7% menos do que os homens. Esse cenário teve uma leve piora, chegando a 21,3% em abril deste ano, mas estável ante novembro de 2025, quando a diferença estava em 21,2% Hoje, as mulheres recebem, em média, 78,7% do salário dos homens.

Um dos destaques do estudo é o aumento expressivo da presença feminina no emprego formal. O número de mulheres ocupadas passou de 7,2 milhões para 8 milhões, uma alta de 800 mil trabalhadoras com emprego formal entre 2023 e 2026. Entre mulheres negras —pretas e pardas—, o crescimento foi ainda maior, de 29%, saltando de 3,2 milhões para 4,2 milhões de vínculos entre 2023 e 2026, com mais 1 milhão de novas trabalhadoras.

Também cresceu o número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras, que chegou a 21.759 unidades, alta de 3,6% em relação ao relatório anterior.

Para Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Trabalho do MTE, a variação negativa de apenas 0,6 pontos percentuais é muito pequena frente ao contingente analisado, já que o número de mulheres contratadas subiu, o rendimento subiu e o número de empresas com cem ou mais funcionários também aumentou.

"O rendimento se moveu de forma positiva, assim como o total de mulheres contratadas para cargos de gerência e direção", diz.

Segundo ela, a massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, mas, mesmo assim, para alcançar a participação equivalente à presença masculina no emprego, hoje em 41,4%, seria necessário uma alta de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos totais.

"O rendimento dos homens continuou a aumentar, pelo maior tempo de empresa, o que faz essa corrida quase impossível, porque se este for o critério usado nas promoções, os que estão há mais tempo na empresa vão receber mais, mesmo que o desempenho seja similar", diz.

"O que se espera é que esse efeito diminua se a economia e os salários continuarem a crescer", afirma ela.

A distância salarial se ampliou em faixas específicas de tamanho de empresa. Nas empresas de 251 a 500 empregados, a remuneração caiu de 82,2% para 80,9%. Nas empresas de 1.001 a 2.000 empregados, a queda foi de 76,5% para 75,2%.

Paula acredita que a promoção de mudanças nas empresas também esbarre em custos para empregadores. "Aumentar a massa de 10,6%, teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover estas mudanças."

O relatório também aponta avanços em políticas internas das empresas. Houve aumento na jornada flexível de 40,6% para 53,9% das empresas oferecendo essa opção, e auxílio-creche sendo oferecido em 38,4% das companhias ante 22,9% do início da série.

Outro ponto celebrado é o aumento do total de empresas com licenças maternidade e paternidade estendida, que saltou de 20% das companhias para 29,9%, além da oferta de planos de cargos e salários, que subiu de 55,5% para 66,8%.

A proporção das empresas que afirmam promover mulheres subiu de 63,8% para 75,7%. Houve crescimento na contratação de mulheres indígenas, de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025, e de mulheres vítimas de violência, de 5,5% para 10,5%.

O levantamento indica ainda que 7% dos estabelecimentos afirmam contratar mulheres em situação de violência, com maior concentração nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, e os setores com maiores parcelas de contratação são serviços de alimentação (17,8%), atividades de vigilância e segurança (16,2%), serviços de reparação e manutenção de equipamentos (13,6%) e serviços para edifícios e paisagismo (13,1%).

Os estados com menor desigualdade são o Acre (91,9%), Piauí (92,1%). Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) Amapá (86,9%). Os com maior desigualdade salarial são o Espírito Santo (70,7%), Rio de janeiro (71,2%), Paraná (71,3%).

O relatório analisou 19,3 milhões de vínculos de emprego formais, conforme dados disponíveis na Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e informados pelas companhia.

Sancionada em 3 de julho de 2023, a Lei da Igualdade Salarial determina que empresas com cem ou mais empregados adotem medidas para assegurar a igualdade salarial entre homens e mulheres e tornem públicos dados de remuneração, além de entregar relatório semestral ao MTE.

No Brasil, no entanto, a igualdade salarial é garantida pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) desde 1943. A nova lei trouxe apenas a obrigação de informar as movimentações, com o envio de relatórios —sob pena de multa a quem não cumpre a regra— e a publicidade dos dados.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO