Brasil e China

Foto: Embaixada da China no Brasil/CNN

 

O encarecimento dos fretes vem se acentuando desde outubro, com a retomada global da economia e a maior procura pelos produtos chineses.

O frete marítimo na rota China-Brasil disparou. O custo das importações já vinha em alta no último trimestre e, nesta semana, atingiu um patamar considerado inédito de US$ 10 mil por TEU (medida padrão usada para contêineres), segundo importadores e empresas de navegação.

“É um nível histórico, nunca tinha visto o frete alcançar esse valor”, afirmou Luigi Ferrini, vice-presidente sênior da Hapag-Lloyd no Brasil. Há um ano, o custo dessa mesma rota estava na faixa dos US$ 2 mil por TEU.

O encarecimento dos fretes vem se acentuando desde outubro, com a retomada global da economia e a maior procura pelos produtos chineses, afirma Rafael Dantas, diretor da importadora Asia Shipping.

A disparada ocorre também em outras rotas partindo da China. As viagens da Ásia para Europa e Estados Unidos atingiram valores acima da média, com mais de US$ 4 mil por TEU.

A escalada de preços é fruto, principalmente, dos problemas logísticos e do grande descompasso entre oferta e demanda ocorrido ao longo do último ano – uma “tempestade perfeita para os fluxos globais de contêineres”, segundo a Centronave, que representa os grupos globais de navegação de longo curso no Brasil.

“Quando eclodiu a pandemia, muitas empresas deixaram de fazer pedidos, houve dezenas de cancelamentos de viagens [de navios de carga]. Mas a demanda por produtos não caiu como esperado. O gasto que iria para viagens foi para itens de casa, home office. O consumo local aumentou no mundo todo, e aí faltaram produtos”, resume Ferrini.

No auge da pandemia brasileira, entre março e julho, foram canceladas 23 viagens de navios da China. O número equivale a ao menos cinco semanas sem importações de contêineres do país.

Em meados do ano, ficou claro para as empresas que seria necessário retomar os pedidos. O aumento, porém, coincidiu com a retomada na Europa e nos Estados Unidos, levando a uma disputa acirrada por contêineres e embarcações. Hoje, praticamente todos os navios disponíveis no mundo estão em uso, diz a Centronave. Resultado: os fretes dispararam e, mesmo passado o Natal, continuam em alta.

A situação se agrava porque a pandemia também reduziu a eficiência na liberação das cargas em portos, terminais e armazéns, que também sofreram com as medidas de isolamento social e o reforço nos protocolos de vigilância sanitária.

Para tentar amenizar o gargalo, entre outubro e dezembro, as empresas de navegação acrescentaram 14 “extra-loaders” (navios adicionais), que ampliaram em cerca de 14% a capacidade na rota Xangai-Santos. O incremento, porém, não tem sido suficiente para atender à demanda. Na semana do Natal, o frete registrava US$ 7.184 por TEU. Sete dias depois, já chegava a US$ 8.173. Agora, armadores e importadores afirmam que os preços alcançaram a marca dos US$ 10 mil.

A alta poderá afetar diversos setores que dependem de importações chinesas. É o caso, por exemplo, da indústria de produtos elétricos e eletrônicos (principalmente os portáteis e de linha marrom). As empresas de maior porte do setor, que trabalham com contratos anuais no transporte marítimo, relataram reajustes de 90%, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). As menores, que fazem importações esporádicas, apontaram uma alta de 200% no custo.

No caso das grandes varejistas de moda, que importam a maior parte de suas coleções de inverno, o frete mais caro terá impacto direto, já que os pedidos para a temporada fria começam agora. “É difícil segurar os embarques em virtude dos altos preços, porque é necessário que os itens cheguem a tempo do inverno. Como 2020 foi um ano duro, também não será possível segurar o repasse dos custos no preço final”, afirma Edmundo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX).

Para Dantas, da Asia Shipping, outro agravante é a concentração no transporte marítimo, composto por grandes grupos globais. “Após anos de crise, as empresas passaram a dividir operações, trocar informações sobre o mercado. Essa consolidação sem dúvidas contribui para os preços mais altos”, avalia.

Outro especialista ressalta que, em outras regiões, como na Europa, a disparada dos fretes já é motivo de questionamentos em órgãos de defesa da concorrência.

Ferrini rebate as críticas e diz que a concentração do setor se deu apenas devido à quebra de algumas empresas, que ficaram em situação frágil após anos de crise e redução nas tarifas aplicadas.

A Centronave diz que a disparada dos preços é fruto de uma combinação de fatores atípicos, decorrentes da pandemia e destacou que a capacidade das companhias de ampliar a oferta, para reduzir fretes, é nula: a ociosidade mundial da frota é de 1,5% (contra 10,6% há um ano). Além disso, a associação diz que a alta de preços afeta apenas o mercado spot (com negociação imediata) e estima que entre 40% e 50% das importações da China para o Brasil sejam regidas por contratos anuais, com fretes mais estáveis.

No mercado, ainda há muita incerteza sobre como os preços se comportarão no médio prazo. A Centronave acredita que o frete irá se normalizar ao longo de 2021. Para Ferrini, a perspectiva é que siga alto por mais dois ou três meses. A Asia Shipping projeta que os preços caiam em relação ao atual recorde, mas continuem acima dos US$ 4 mil por TEU.

Fonte: Valor Econômico

Homem trabalhando em casa no estilo home office

(iStock/Getty Images)

 

Com o crescimento do número de trabalhadores no sistema “home office” por conta da pandemia, o Projeto de Lei (PL) 5341/20 institui o auxílio home office. O benefício estabelece que o empregador subsidiará despesas do trabalho na própria residência.

A proposta prevê que o auxílio seja pago sempre no mês posterior ao que o empregado comprovou as despesas, preferencialmente junto com o salário. Pela legislação, as despesas previstas relacionadas ao trabalho são: internet, energia elétrica, softwares e hardwares e infraestrutura necessária ao trabalho remoto.

De acordo com a Agência Câmara, o projeto planeja que o empregador contribua com 30% destes gastos. O texto estabelece ainda que o benefício concedido não tem natureza salarial e nem se incorpora à remuneração, bem como não incide contribuição previdenciária nem de Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

 O autor da proposta, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), avalia que o objetivo do projeto não é repassar todo o ônus das despesas ao empregador, mas que o custo também não fique apenas para o empregado.
 
FONTE:ISTOÉDINHEIRO

 

IMAGEM: ELZA FIÚZA/AGÊNCIA BRASIL

Intenção de voltar a recadastrar após janeiro esbarra no agravamento da pandemia

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) avalia adiar mais uma vez a exigência da realização da prova de vida para a manutenção de benefícios.

Desde o início da pandemia de Covid-19, em março do ano passado, o INSS vem prorrogando a retomada da obrigatoriedade do recadastramento anual da senha bancária para o recebimento dos pagamentos.

No último adiamento, anunciado em novembro de 2020, o instituto previa que só voltaria a suspender benefícios após a competência de janeiro de 2021.

 

Os altos índices de ocupação da rede hospitalar por pacientes infectados pelo coronavírus, porém, deverão obrigar o órgão a rever esses planos.

A reportagem apurou que o presidente do INSS, Leonardo Rolim, tem discutido a possibilidade de um novo adiamento com superintendentes regionais. “A chance de precisar adiar é de 90%”, disse um funcionário que acompanha as discussões.

Chefias do órgão avaliam que, embora a renovação de senha ocorra na rede bancária, a retomada da obrigatoriedade levaria milhares de segurados a comparecer espontaneamente às agências da Previdência.

O aumento da procura pelos postos causaria transtornos no atendimento aos segurados, que já funciona com limitações devido à retirada das agências de servidores que fazem parte dos grupos de risco para a Covid-19 e, neste momento, estão realizando suas atividades em home office.

Questionado sobre a possibilidade de adiamento, o INSS informou que o tema está em análise pelas suas áreas técnicas.

“O assunto está sendo analisado pelas áreas técnicas desta autarquia e detalhes sobre a prova de vida serão divulgados oportunamente”, informou o instituto nesta quinta-feira (7).

Para aposentados do funcionalismo estadual paulista, a SPPrev (São Paulo Previdência) informou, também nesta quinta, que a exigência de prova de vida segue suspensa.

RENOVAÇÃO DE SENHA | RISCO NA PANDEMIA

  • O INSS estuda manter por mais tempo a suspensão da exigência da prova anual de vida

  • A previsão de retomada era para o próximo mês, mas o agravamento da pandemia preocupa

  • Com parte dos funcionários em home office, o INSS teria dificuldade em atender a demanda

  • Apesar de o recadastramento ocorrer na rede bancária, muitos segurados procurariam agências da Previdência

Exigência suspensa

  • Até o fim deste mês, está garantido que o INSS não vai bloquear benefícios de segurados que deixaram de renovar suas senhas desde março de 2020

  • Provavelmente, quando a pandemia estiver sob controle, o órgão voltará a exigir o recadastramento, mas garantirá um prazo para que os segurados realizem o procedimento

  • Somente quem já estava em falta com o cadastramento até fevereiro do ano passado precisa regularizar sua situação

  • Para saber sobre sua situação, o beneficiário pode obter informações pelo telefone 135 ou se cadastrar no site meu.inss.gov.br

O que é prova de vida?

  • Todos os anos os beneficiários do INSS, como aposentados e pensionistas, precisam recadastrar suas senhas

  • O processo de renovação é realizado na agência bancária em que o segurado recebe o benefício previdenciário

  • Normalmente, os bancos definem um calendário que distribui a convocação dos beneficiários conforme o mês de aniversário

  • A maior parte dos beneficiários precisa comparecer ao banco portando documento oficial com foto para renovar a senha

ATENDIMENTO NOS BANCOS

A pedido da reportagem, alguns dos principais bancos informaram como estão procedendo com a prova de vida durante a pandemia.

Os beneficiários do INSS não estão proibidos de realizar a renovação, mas ir ao banco neste momento representa risco à saúde, sobretudo para idosos e pessoas dos grupos de risco para Covid-19. Veja:

Banco do Brasil

  • Para realizar a prova de vida, o beneficiário, seu procurador ou representante legal deve comparecer à agência do Banco do Brasil para digitar a senha cadastrada ou capturar a biometria do próprio beneficiário

  • A prova de vida também pode ser realizada nos terminais de autoatendimento com biometria

Caixa Econômica Federal

  • O banco informou que a realização da prova de vida está disponível para os beneficiários

Itaú-Unibanco

  • Atualmente, os clientes podem realizar a prova de vida do INSS de duas maneiras: presencialmente, nos guichês de caixa das agências bancárias, e de forma automática, mediante uso da biometria em transações bancárias

Santander

  • O beneficiário pode fazer via agência com o gerente ou no autoatendimento. Entretanto, desde o início da pandemia, algumas agências estão priorizando o atendimento de idosos, gestantes e portadores de deficiência entre 9h e 10h

QUEM NÃO PODE IR

  • Os beneficiários que não podem comparecer às agências bancárias por motivos de doença e dificuldades de locomoção podem realizar a comprovação de vida por meio de um procurador devidamente cadastrado no INSS

  • Idosos com mais de 80 anos e beneficiários com dificuldade de locomoção podem solicitar pelo telefone 135 do INSS a visita em sua residência ou local informado

 

Fontes: INSS, Banco do Brasil, Caixa, Itaú-Unibanco, Santander e reportagem/FOLHA DE S.PAULO

 

Previsão é de aumento no desemprego

IMAGEM: ALINA SOUZA

O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) subiu 1,2 ponto na passagem de novembro para dezembro, para 85,7 pontos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Em médias móveis trimestrais, o IAEmp também subiu 1,2 ponto. “O resultado de dezembro mostra que ainda está em curso o processo de recuperação das perdas sofridas na população ocupada no início da pandemia. Apesar da melhora, ainda é preciso considerar o patamar baixo do indicador, inferior ao observado em fevereiro de 2020, período anterior à pandemia. O ritmo ainda deve permanecer lento nesse início de ano considerando o processo de transição dos programas emergenciais do Governo e alta incerteza”, avaliou Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) avançou 3,0 pontos em dezembro ante novembro, para 102,6 pontos, maior nível desde janeiro de 2017. Em médias móveis trimestrais, o ICD aumentou 2,1 pontos. “A piora pelo segundo mês consecutivo do ICD sugere aumento na taxa de desemprego nos últimos meses de 2020. Com o fim do auxílio emergencial em dezembro, muitos consumidores voltaram a buscar emprego e encontraram dificuldade de retornar ao mercado de trabalho com baixas perspectivas de melhora significativa no curto prazo”, completou Rodolpho Tobler.

O ICD é um indicador com sinal semelhante ao da taxa de desemprego, ou seja, quanto maior o número, pior o resultado. Já o IAEmp sugere expectativa de geração de vagas adiante, quanto menor o patamar, menos satisfatório o resultado.

O ICD é construído a partir dos dados desagregados, em quatro classes de renda familiar, da pergunta da Sondagem do Consumidor que procura captar a percepção sobre a situação presente do mercado de trabalho. O IAEmp é formado por uma combinação de séries extraídas das Sondagens da Indústria, de Serviços e do Consumidor, todas apuradas pela FGV. O objetivo é antecipar os rumos do mercado de trabalho no País.

No IAEmp, dois dos sete componentes avançaram em dezembro, com destaque para os componentes de Situação Atual dos Negócios do setor de Serviços, com alta de 5,3 pontos, e de Tendência dos Negócios da Indústria, aumento de 5,1 pontos.

No ICD, houve alta em todas as quatro faixas de renda familiar pelo segundo mês seguido. A maior contribuição para o resultado foi das famílias com renda mensal entre R$ 4,8 mil e R$ 9,6 mil, cujo indicador de Emprego local atual (invertido) subiu 5,8 pontos em dezembro ante novembro.

 

FONTE: ESTADÃO CONTEÚDO

Auxílio emergencial, Caixa Econômica Federal

IMAGEM: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

 

Em meio à continuidade dos números alarmantes da pandemia do coronavírus no Brasil, parlamentares articulam uma volta urgente ao Congresso Nacional. Entre as ideias está discutir e votar a renovação do auxílio emergencial.

Segundo o Correio Braziliense, o senador Alessandro Vieira, do Cidadania, apresentou um requerimento de uma convocação extraordinária que já circula na Câmara dos Deputados e o Senado.

O documento tem como um dos principais pedidos a prorrogação do estado de calamidade pública com a renovação do auxílio emergencial.

 Além disso, destaca ainda a universalização da vacina contra o coronavírus no Brasil.
 

A ideia de Vieira já recebeu apoio de alguns parlamentares. Na teoria, o documento aponta que em caso de urgência ou de interesse público relevante, a maioria dos membros do Congresso tem poder de convocar o retorno dos trabalhos.

E o argumento principal para isso estaria sendo publicado dia após dia, com os números de mortes e infectados pela covid-19. Segundo o referendo, a crise causada pela pandemia não estaria nem próxima de seu fim.

Para Vieira, segundo o Correio Braziliense, seria possível estender o auxílio emergencial por mais três meses. Para isso, a ideia é discutir a flexibilização de valores e prazos.

Segundo o Valor Econômico, o deputado Baleia Rossi, do MDB, também afirmou ser defensor da retomada do auxílio emergencial. O parlamentar está disputando a presidência da Câmara.

FONTE: ISTOÉDINHEIRO

Capitolío, Eua

(Imagem: REUTERS/Leah Millis)

 

O Congresso dos Estados Unidos validou oficialmente, nesta quinta-feira (7), a vitória de Joe Biden na eleição de 3 de novembro, e o presidente Donald Trump prometeu que haverá uma “transição ordenada” em 20 de janeiro, depois que seus partidários provocaram horas de caos no Capitólio, produzindo imagens inéditas que chocaram o país e provocaram a condenação internacional.

Nas primeiras horas da manhã e depois que as objeções dos republicanos foram rejeitadas, o vice-presidente Mike Pence confirmou a vitória do democrata, com 306 grandes eleitores, contra 232 para o presidente em fim de mandato, diante das duas câmaras, reunidas em sessão extraordinária.

O que deveria ter sido uma mera formalidade se transformou na quarta-feira em uma “insurreição” que “beirou a sedição”, nas palavras de Biden, quando uma multidão de partidários de Trump invadiu o Capitólio, considerado o templo da democracia americana.

As imagens que correram o mundo nas últimas horas são inacreditáveis: políticos entrincheirados e com máscaras de gás, manifestantes instalados nos gabinetes das autoridades americanas com os pés sobre a mesa, e os nobres corredores do Capitólio invadidos por agentes armados, como em um filme de ação americano.

Embora a calma tenha sido restabelecida depois de algumas horas, essas imagens ficarão para sempre associadas ao fim do mandato de Trump, que há dois meses não reconhece sua derrota, atitude que fez com que uma parte de seu próprio partido o abandonasse.

Após a votação do Congresso, nesta quinta-feira e após este dia desastroso para seu futuro político, Trump admitiu que seu mandato está terminando e que haverá, em 20 de janeiro, uma “transição ordenada”.

“Embora eu discorde totalmente do resultado dessas eleições, e os fatos me apoiem, haverá uma transição ordenada em 20 de janeiro”, disse ele em um comunicado.

“Isso representa o fim de um dos melhores primeiros mandatos presidenciais e é apenas o começo de nossa luta para devolver aos Estados Unidos sua grandeza”, acrescentou, dando a entender que poderia brigar por um novo mandato em 2024.

– “Sem precedentes” –

 

 

Trump, que fala de complô e denuncia fraudes desde sua derrota, é apontado como o principal responsável por essa invasão do Capitólio e pelo caos que reinou por horas. Esses distúrbios levaram as autoridades locais a decretarem um toque de recolher em Washington, D.C.

A polícia informou que uma mulher, uma defensora apaixonada de Trump, foi baleada por policiais e morreu no Capitólio, enquanto outras três pessoas também foram mortas na área em circunstâncias ainda desconhecidas.

Em um discurso pronunciado em meio à violência, Biden exigiu que o presidente interviesse imediatamente na televisão nacional para acabar com o caos e acalmar seus partidários.

“Nossa democracia está sob um ataque sem precedentes”, afirmou o presidente eleito, em tom sério e triste.

Pouco depois, Trump divulgou um vídeo, pedindo a seus apoiadores que se retirassem, mas no qual novamente falou de fraude eleitoral.

“Eu amo vocês (…) entendo sua dor (…) tivemos uma eleição que foi roubada de nós. Mas vocês têm que ir para casa agora”, disse ele.

Em uma decisão inédita, redes sociais retiraram o vídeo do presidente, considerando que poderia estimular a violência. Além disso, o Twitter bloqueou temporariamente a conta da Trump em suas plataformas (assim como o Facebook) e avisou que poderia suspendê-la permanentemente, se não respeitasse as regras.

Internacionalmente, a surpresa, indignação e condenação foram unânimes. Alemanha, Espanha, Reino Unido ou França pediram o fim dos atos que “atropelam a democracia”, e o chefe da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, insistiu em que o resultado das eleições deve ser “respeitado”.

Os detratores e inimigos declarados de Trump também reagiram. O presidente iraniano, Hassan Rohani, considerou que o que aconteceu mostra como a democracia ocidental é “frágil e vulnerável”.

O governo venezuelano estimou que os Estados Unidos “sofrem o mesmo que geraram em outros países com suas políticas de agressão”.

O ex-presidente George W. Bush também não hesitou em criticar seu próprio Partido Republicano. “É assim que resultados eleitorais são disputados em uma república de bananas, não em nossa república democrática”, disse ele.

Os ex-presidentes democratas Bill Clinton e Barack Obama também lamentaram o ocorrido, mas não se mostraram surpresos.

A agitação no Congresso foi “incitada” por Trump, “que continua a mentir sem fundamentos sobre o resultado de uma eleição legítima”, criticou Obama.

– “Não cederemos” –

 Historiadores disseram que esta foi a primeira vez que o Capitólio foi invadido desde 1814, quando os britânicos o incendiaram durante a Guerra de 1812.

Após o fracasso de sua batalha nos tribunais, Trump queria desafiar o Congresso e reunir dezenas de milhares de apoiadores em Washington, coincidindo com a sessão em que a vitória de seu rival seria oficialmente validada.

“Não desistiremos nunca, não cederemos”, declarou ele, pressionando seu vice-presidente Mike Pence a “fazer o que tem de fazer”.

Pence, obediente e silenciosamente leal a Trump por quatro anos, disse não ter autoridade para intervir e foi rápido em pedir o fim da violência.

Por ocasião desta sessão, alguns parlamentares republicanos levantaram objeções aos resultados em vários estados. Depois dos tumultos no Capitólio, alguns mudaram de opinião.

“Os eventos que ocorreram hoje me forçaram a reconsiderar. E não posso objetar de boa-fé à certificação”, disse a senadora Kelly Loeffler, que perdeu uma das duas cadeiras republicanas da Geórgia em disputa, na terça-feira (5), em eleições parciais para o Senado.

O líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, alinhado com Trump durante toda sua presidência, havia tentado evitar objeções.

“Os eleitores, os tribunais e os estados falaram. Se os invalidarmos, nossa república será prejudicada para sempre”, disse McConnell, pouco antes dos distúrbios.

O líder da minoria nesta Casa, o democrata Chuck Schumer, descreveu a violência como uma tentativa de “golpe”.

“Triste e perigosamente, alguns membros do Partido Republicano pensam que sua sobrevivência política depende de sua participação em uma tentativa de golpe”, lamentou.

De acordo com alguns meios de comunicação americanos, vários secretários de Trump falaram de sua destituição ao abrigo da 25ª emenda à Constituição dos EUA. Invocar essa emenda exigiria que o vice-presidente Mike Pence liderasse o gabinete em uma votação para destituí-lo.

 

– Senado democrata –

Os incidentes ocorreram um dia depois de uma histórica dupla eleição para o Senado na Geórgia, após a qual o Partido Democrata assumiu o controle total do Congresso, chave para a agenda de Biden.

O candidato democrata Raphael Warnock derrotou Kelly Loeffler e se tornou o primeiro senador negro deste estado tradicionalmente conservador do sul.

E Jon Ossoff, de 33 anos, será o mais jovem senador democrata da história do país, depois de… Biden, que assumiu uma cadeira em 1973.

Assim, os democratas têm 50 assentos no Senado, assim como os republicanos. Como prevê a Constituição americana, a futura vice-presidente, Kamala Harris, terá o poder de desempatar e inclinar a balança a favor dos democratas.

FONTE: AFP

Eólica Mangue Seco 1 e Eólica Mangue Seco 2 são colocadas à venda pela Petrobras

IMAGEM: DIVULGAÇÃO

 

A Petrobras assinou um contrato para venda de sua participação total de 49% nos parques eólicos Mangue Seco 3 e 4, por R$ 89,9 milhões com a V2I Transmissão de Energia Elétrica, informou a petroleira em comunicado ao mercado nesta quinta-feira.

A venda foi feita em conjunto com a Wobben Windpower Indústria e Comércio, que detinha os demais 51% dos ativos.

O montante será pago em duas parcelas, sendo R$ 22,5 milhões nesta quinta-feira, (7) e R$ 67,4 milhões no fechamento da transação, sujeito aos ajustes previstos no contrato.

O fechamento da transação está sujeito ao cumprimento de condições, como a aprovação pelo Banco do Nordeste do Brasil, financiador do desenvolvimento do parque eólico, e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

FONTE: CNN

 

profissional de saúde com seringa e vacina

IMAGEM: EPA

 

Lideranças de centrais sindicais defendem a vacinação da população o quanto antes, a continuidade do auxílio emergencial em 2021 e cobram o presidente da República, Jair Bolsonaro, sobre a responsabilidade na crise do coronavírus.

O posicionamento foi alinhado nesta terça-feira (5), por videoconferência, na primeira reunião de 2021 do Fórum das Centrais Sindicais – que incluem CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB.

As centrais desenvolveram um texto em torno de soluções para a crise, que está sendo encaminhado para diversos órgãos, partidos políticos e também há a intenção de realizar uma reunião com o Supremo Tribunal Federal sobre o assunto.

Confira abaixo as propostas das Centrais Sindicais:

1. Vacina já para todos. Exigir um plano nacional de vacinação, universal e público, estruturado a partir do Programa Nacional de Imunização do Sistema Único de Saúde (SUS), integrando e articulando os entes subnacionais (Estados e Municípios) e o setor privado, em um esforço coordenado para uma execução segundo as prioridades estabelecidas pelo setor de saúde.

2. Manutenção do auxílio emergencial e proteção dos empregos/salários. Prorrogar durante a pandemia o auxílio emergencial de R$ 600,00 e as medidas para pagamento dos salários dos trabalhadores com contrato suspenso ou com redução de jornada de trabalho.

3. Mais Empregos. Articular e implementar medidas com o objetivo de gerar empregos e renda para os milhões de desempregados.

4. Campanhas de solidariedade. É fundamental que toda as entidades sindicais mantenham as campanhas de ajuda solidária, em especial aos mais necessitados, assim como coloque sua estrutura à serviço do sistema nacional de vacinação em cada localidade.

5. Fortalecimento da organização sindical e da negociação coletiva. Recuperar a capacidade de atuação da estrutura sindical.

Articulação

 

As Centrais Sindicais querem fazer um movimento em vários âmbitos. “Vamos articular com os deputados estaduais e federais, prefeitos que assumiram, Une, OAB, entre outras entidades, para fazer o máximo de pressão contra o governo federal, que tem essa responsabilidade [de enfrentar a crise], apesar de declarar ontem que é incompetente para isso. E se ele se declara incompetente, ele que peça para sair”, diz João Carlos Gonçalves, conhecido como Juruna, secretário geral da Força Sindical.

Juruna ainda afirma que as centrais também vão articular com todos os candidatos postulantes aos cargos da presidência da câmara dos deputados e senado, independente de partido.

Além disso, os sindicatos estão agendando uma reunião sobre os temas com o presidente do STF, Luiz Fux.

“Esse documento está sendo distribuído para os sindicatos locais, em cada cidade do País. A partir disso, vamos começar uma mobilização por meio do WhatsApp e das redes”, ressalta.

 

FONTE: ISTOÉDINHEIRO

IMAGEM: JACQUELINE LISBOA/ESPECIAL METRÓPOLES

 

O Brasil ultrapassou, nesta quinta-feira (07/01), mais de 200 mil mortes pela covid-19, segundo o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass).

Até o momento, foram registradas 200.498 mortes no país — o primeiro óbito ocorreu em 12 de março, conforme a pasta.. Além disso, já foram registrados 7.961.673 casos de infecções pelo novo coronavírus.

O Estado com maior número de vítimas fatais é São Paulo (47.768), seguido de Rio de Janeiro (26.292) e Minas Gerais (12.366).

Ainda nesta quinta, o país também bateu recorde diário de óbitos, conforme dados do Conass: nas últimas 24 horas foram registradas 1.841 mortes pela covid-19.

Em números absolutos, o Brasil é o segundo país com mais mortes pela doença em todo o mundo. Ele está atrás apenas dos Estados Unidos, que têm mais de 363,5 mil óbitos por covid-19, conforme levantamento da Universidade Johns Hopkins

O país foi superado em número de casos, entretanto, pela Índia (10,39 milhões), agora em segundo lugar depois dos Estados Unidos (21,4 milhões).

Subnotificação

Para especialistas, o Brasil já havia batido a marca dos 200 mil mortos pela covid-19 antes desta quinta-feira. Epidemiologistas, matemáticos e cientistas de dados calculam que o número real na atualidade é bem maior.

Um dos indicativos disso é o aumento nos números de mortes por Síndrome Aguda Respiratória Grave (SRAG).

"Se compararmos o número de mortes por SRAG em 2019 e em 2020, é possível observar que neste ano há um excedente enorme, mesmo quando subtraímos a média dos períodos anteriores e os casos em que a covid-19 foi confirmada", afirmou, em reportagem publicada em 30 de dezembro, o engenheiro Miguel Buelta, professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Em outras palavras, na comparação com o passado recente, o número de pessoas que não sobreviveu a um colapso das vias aéreas em 2020 foi muito maior. E, dentro desse contingente, há uma quantidade enorme de óbitos em que o agente por trás do problema não foi identificado.

Em 2019, o Brasil contabilizou 4.852 mortes por SRAG. Já no ano de 2020, o número de óbitos por essa mesma condição estava em 229,1 mil até o dia 1º de novembro. Desse total registrado, 151,5 mil tiveram a covid-19 confirmada. Numa conta simples de subtração, dá pra concluir que cerca de 75 mil mortes por SRAG ocorridas ao longo dos últimos meses não tiveram sua origem esclarecida.

Porém, em um ano de pandemia, com alta circulação de um novo tipo de coronavírus, especialistas dizem ser possível afirmar que a maioria dessas pessoas deve ter tido covid-19.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde afirmou, sem entrar em detalhes, que há um processo para fortalecer a rede de vigilância de influenza e outros vírus respiratórios, "para cada vez mais qualificar a identificação de agentes etiológicos causadores de doenças respiratórias, como a covid-19, principalmente por técnicas de biologia molecular, incluindo mais tipos de vírus nos diagnósticos e com equipamentos capazes de um maior número de processamento ao dia".

Vacina

O Brasil bate a marca dos mais de 200 mil mortos no dia em que o Instituto Butantan divulgou o nível de eficácia da vacina CoronaVac, que São Paulo planeja começar a aplicar na população do Estado a partir de 25 de janeiro.

Os resultados dos testes feitos no país apontaram que a vacina da farmacêutica chinesa Sinovac, que está sendo desenvolvida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan, protege 78% das pessoas contra a covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

Já em relação àqueles que desenvolverem a doença, o governo de São Paulo divulgou que os testes nos voluntários imunizados e que ainda assim foram infectados pelo coronavírus apontaram que a vacina garantiu a proteção total (100%) contra mortes, casos graves e internações.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou recentemente que a vacina "não tem segurança ainda", mas disse que estão previstas 2 milhões de doses em janeiro.

Bolsonaro deu diversas declarações controversas desde o início da pandemia. Ele chegou a classificar a covid-19 como uma "gripezinha" e afirmou que o Brasil é referência no combate à covid-19.

O início da vacinação

Estudos feitos com a Coronavac no país, cujos resultados já haviam sido divulgados, comprovaram que a vacina é segura e não causa reações adversas graves, segundo dados do Instituto Butantan.

O Instituto Butantan e o governo de São Paulo devem solicitar a aprovação emergencial da vacina à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso no SUS, em razão da urgência gerada pela pandemia — o registro habitual costuma demorar mais para sair.

A agência garante que as vacinas só terão essa aprovação emergencial se tiverem dados suficientes de segurança e eficácia.

FONTE: BBC

FOTO: ANTAQ

Da Federação Internacional de Trabalhadores em Transporte (ITF) asseguram que os trabalhadores marítimos paraguaios não possuem um acordo coletivo que lhes garanta as condições mínimas de trabalho e salário.

Em meio ao conflito nos  da Argentina, a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transporte (ITF), que afilia mais de 20 milhões de trabalhadores representados em 700 organizações sindicais em 150 países, denunciou a violação dos  dos trabalhadores marítimos paraguaios que atuam na Hidrovia Paraná-  .

Segundo explica a entidade, é porque os trabalhadores daquele país “não têm acordo coletivo que lhes garanta as condições mínimas de trabalho e salário em relação ao resto dos trabalhadores de outras nacionalidades”.

“Há vários anos e progressivamente, os armadores da Marinha violam os direitos humanos e trabalhistas dos trabalhadores da marinha mercante paraguaia, o que gera concorrência desleal entre as empresas que operam na Hidrovia Paraguai-Paraná”, explicaram. ITF.

Por isso, denunciaram os fatos ao Ministério do Trabalho do Paraguai por “sua escassa intervenção, sua ausência e descontrole nas relações de trabalho no setor”.

“Há indícios de irregularidades em detrimento dos trabalhadores, e mesmo atualmente há denúncias de embarque de pessoal não treinado para a navegação de navios”, disseram, e comentaram que “esta situação não afeta apenas os trabalhadores, mas também ameaça os segurança da navegação na Hidrovía ”.

Além disso, exigiram medidas urgentes do governo paraguaio e chamaram a atenção "para fazer cumprir os acordos de trabalho ratificados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT)

 

FONTE: INFOCAMPO

Navio é considerado o maior em comprimento a fazer escala no Porto de Santos, SP — Foto: Divulgação/Embraport

 Foto: Divulgação/Embraport

 

Um quarto trimestre como já não se vivia há cinco anos, atirou a carteira global de encomendas de porta-contêineres para os 2,4 milhões de TEU, calcula a Alphaliner.

O ano de 2020 terminou com sucessivos anúncios de encomendas de porta-contêineres de 23 000 e 24 000 TEU, para a Hapag-Lloyd, ONE e MSC, fazendo disparar a nova capacidade contratada no último trimestre.

No ranking das companhias com mais encomendas figuram ainda a COSCO, com 276 mil TEU (9,1%, 12 navios), a Hapag-Lloyd, com 141 mil TEU (8,2%,  seis navios), a HMM, com 120 mil TEU (16,7%, oito navios) e a Yang Ming, também com 120 mil TEU (19.5%, 13 navios).

Curiosamente, os dados da Alphaliner não incluem ainda as anunciadas encomendas da ONE.

de 23 000 e 24 000 TEU, para a Hapag-Lloyd, ONE e MSC, fazendo disparar a nova capacidade contratada no último trimestre.

Entre Outubro e Dezembro, a Alphaliner contou encomendas de 31 navios, num total de 673 500 TEU. O melhor registo dos últimos cinco anos. Com isso, as encomendas colocadas em 2020, um ano difícil por causa da pandemia, subiram para 2,4 milhões de TEU, o equivalente a 10% da frota em operação (23,9 milhões de TEU.

De acordo com a consultora parisiense, a Evergreen é a campeã das encomendas, em termos de capacidade, com 472 mil TEU (36,9% da frota actual), relativos a 64 navios. Seguem-se-lhe a CMA CGM, com 327 mil TEU (10,9%, 21 navios), e a MSC, com 323 mil TEU (8,4%, 16 navios). Com isso, a MSC igualará, ou mesmo ultrapassará, a Maersk na liderança mundial.

No ranking das companhias com mais encomendas figuram ainda a COSCO, com 276 mil TEU (9,1%, 12 navios), a Hapag-Lloyd, com 141 mil TEU (8,2%,  seis navios), a HMM, com 120 mil TEU (16,7%, oito navios) e a Yang Ming, também com 120 mil TEU (19.5%, 13 navios).

Curiosamente, os dados da Alphaliner não incluem ainda as anunciadas encomendas da ONE.

 

FONTE: TRANSPORTES&NEGÓCIOS

 

IMAGEM: LUIS TINOCO

Para especialistas, presidente fez uso equivocado do conceito e gerou ruídos que podem trazer impactos negativos para o país

A declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que o Brasil está quebrado e que não pode fazer nada recebeu críticas de economistas. Para especialistas ouvidos pela Folha, o presidente usou o conceito de forma equivocada e gerou ruídos que podem trazer impactos negativos para o país.

"Chefe, o Brasil está quebrado, eu não posso fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, teve esse vírus, potencializado por essa mídia que nós temos. Essa mídia sem caráter. É um trabalho incessante de tentar desgastar para tirar a gente daqui e atender interesses escusos da mídia", disse o mandatário nesta terça-feira (5).

A economista Elena Landau afirma que o uso do termo “quebrado” foi banalizado por Bolsonaro. Para ela, a declaração traz uma mensagem muito negativa para o mercado, dando impulso para uma perda de confiança no país em um momento que o governo passa por uma crise fiscal e depende do investimento privado.

“O que os credores internacionais, o que os credores do Tesouro vão imaginar quando o próprio presidente da República diz que o país quebrou? Isso significa que o país não tem capacidade de pagar aquilo que ele deve”, afirmou.

 

Para Elena, Bolsonaro ainda tenta tirar de sua alçada a competência sobre medidas que deveriam ser tomadas para mitigar a crise. Ela ressalta que o presidente tem priorizado pautas favoráveis aos militares e que reforçam o Orçamento das Forças Armadas em vez de focar em assistências como o auxílio emergencial.

“É de uma irresponsabilidade muito grande, só cria uma situação de instabilidade nas áreas de juros e câmbio, além de ele fazer parecer que não tem responsabilidade sobre isso. Onde estão as privatizações que iam fazer, cadê as reformas, cadê o Orçamento de 2021?”, disse.

Na avaliação do economista Raul Velloso, especialista em finanças públicas, o conceito usado pelo presidente está errado.

“Alguém precisa dizer para ele que nenhum país em emergência quebra. Mesmo fora da emergência, especialmente um país como o Brasil, que não depende de dólar para financiar sua dívida”, disse.

De acordo com Velloso, a crise sanitária que o país vive é inédita e depende de ações do governo. Para ele, o pagamento do auxílio emergencial é necessário e essa discussão não deveria ser bloqueada pelo presidente.

“Em uma crise, você só precisa ter uma justificativa. E a justificativa é que as pessoas vão morrer na rua se a gente não ajudar [com o auxílio emergencial]. As pessoas estão sendo confinadas, e agora com a segunda onda”, disse.

Segundo a economista Juliana Damasceno, pesquisadora do Ibre FGV, só seria possível dizer que o país quebrou depois que fossem esgotadas todas as possibilidades de solução para o problema fiscal, o que ainda não ocorreu.

“A declaração dele de que o país está quebrado soa como se não houvesse nada que possa ser feito, o que não é verdade”, afirmou.

Juliana diz que o governo não tem conseguido articular e avançar com propostas que dariam fôlego para as contas públicas, como a revisão de incentivos fiscais, reformulação de programas sociais, reforma administrativa, privatizações, correções no teto de gastos e outras medidas de ajuste.

“Existe uma série de ações que o governo poderia fazer antes de dizer que está quebrado. Se o país está quebrado é porque nós não fizemos o dever de casa e nos recusamos a fazer alguma coisa agora, continuamos na inércia”, disse.

FONTE: FOLHA DE S.PAULO