Carteira de Trabalho

IMAGEM: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas

Brasileiros voltaram a buscar emprego no trimestre encerrado em novembro

A flexibilização das medidas de distanciamento social no fim do ano passado levou o trabalhador brasileiro a voltar a buscar emprego, e um contingente importante encontrou algum tipo de ocupação, seja ela formal ou informal.

Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 2,7 milhões de pessoas deixaram a inatividade no trimestre encerrado em novembro.

O IBGE considera inativo quem não trabalha nem procura emprego. Desempregado, para o instituto, é quem procurou emprego no período da pesquisa, mas não o encontrou.

Parte desse contingente que deixou a inatividade está entre os 3,9 milhões que encontraram uma vaga no período, um avanço de 4,8% na população ocupada na comparação com o trimestre anterior –o maior avanço da série histórica do instituto, iniciada em 2012.Segundo a analista da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), Adriana Beringuy, 62% do crescimento da ocupação é atribuído a atividades informais.

Como o informal foi o primeiro afetado pela crise do coronavírus, em parte por causa das medidas de restrição social, era esperado que fosse o primeiro a dar sinais positivos após o relaxamento dessas medidas.

 A informalidade cresceu tanto entre os que trabalham por conta própria –alta de 6,6% ante o trimestre anterior– quanto entre os que atuam no setor privado e domésticos.

Juntos, esses dois tiveram alta de 10,71% nos empregos no trimestre até novembro.

As vagas formais no setor privado também aumentaram, seja entre empregados, empregadores ou trabalhadores por conta própria.

Mesmo com mais gente trabalhando, tanto a taxa de desocupação quanto o contingente que ainda busca uma colocação permaneceram estáveis, em 14,1% e 14 milhões, respectivamente, devido à volta de parte dos inativos ao mercado.

E é o retorno dessa população para o mercado de trabalho –seja com uma ocupação ou, principalmente, procurando trabalho–, o que, para alguns economistas, poderá levar ao aumento no desemprego no curto e médio prazos.

Para o economista Cosmo Donato, da LCA Consultores, as rápidas mudanças entre o que o Brasil vivia em novembro do ano passado e o momento atual tornam incipientes os sinais de uma possível recuperação das vagas.

“A conjuntura naquele momento era de um mínimo de distanciamento social e maior mobilidade, que foi o que permitiu a volta da circulação de pessoas”, afirmou.

“Minha preocupação é com os próximos meses. Os informais se recuperaram, mas ainda estão muito distantes do que era antes da pandemia”, disse Donato.

A pesquisadora Ana Luiza Barbosa, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), diz ver o mercado envolto em muitas incertezas até, pelo menos, o mês de março, já que as inseguranças em relação à pandemia ainda persistem.

O repique da pandemia de Covid-19, a identificação de uma nova variante do vírus e as dúvidas quanto à velocidade da imunização fazem com que os dados até o penúltimo mês de 2020 pareçam pertencer a um passado distante.

“Tínhamos outro cenário em novembro com a flexibilização nas restrições e o aumento na mobilidade”, disse Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Donato, da LCA, avalia que as novas medidas de contenção à transmissão do coronavírus podem levar parte da população a retornar à inatividade –e, assim, deixar de figurar nas estatística de desemprego, apesar de não trabalhar–, ainda que seja improvável que o recrudescimento ocorra com a mesma rigidez dos primeiros meses de pandemia.

Se isso acontecer e houver novo recuo da força de trabalho, é improvável que haja um novo pico de desocupação.

Os dados da Pnad Contínua divulgados na quinta apontaram para melhora em nove dos dez setores analisados pelo IBGE. O comércio, impulsionado por compras de fim de ano, empregou 854 mil trabalhadores no trimestre até novembro.

 

FONTE: FOLHA DE S.PAULO

Informe da Negociação Salarial

IMAGEM: SINDRECEITA

 

De quase 12 mil acordos analisados pelo Dieese, mil não tiveram reajuste. E 38,5% ficaram acima do INPC

São Paulo – Embora a maior parte das campanhas salariais em 2020 tenha resultado em reajuste igual ou superior à inflação, na média os acordos tiveram variação abaixo do INPC. Os dados, reunidos pelo Dieese, analisam 11.738 reajustes no ano passado.

Desse total, 38,5% resultaram em aumento real (acima da inflação). Outros 34,3% foram equivalente à variação do INPC, enquanto 27,2% ficaram abaixo. A média dos reajustes foi de -0,11% em relação ao índice de referência. O ano de 2020 também foi marcado por acordos de redução de jornada e salário, em torca de manutenção do emprego, devido à pandemia.

Campanhas salariais sem reajuste

O Dieese registrou 8,8% de acordos sem reajuste em 2020, ante 0,3% no ano anterior. Em números absolutos, o total de reajustes zero passou de 39, em 2019, para 1.036. Isso aconteceu com mais frequência em maio, julho e dezembro.

Entre os setores de atividade, a indústria teve maior incidência de acordos com reajustes acima do INPC: 44,2%. No comércio, apenas 30,9%. E o maior percentual de reajustes abaixo da inflação foi registrado nos serviços (33,3%). Resultados que se explicam, também, pelos efeitos da pandemia.

No recorte por data-base, “fevereiro e junho apresentaram as maiores incidências de aumentos reais no ano, superiores a 50% em cada uma”, aponta o Dieese. “Maio, julho e setembro também se destacaram, com registros de aumentos reais em proporções superiores a 40%”, acrescenta o instituto. Em setembro estão categorias como a dos bancários, que conseguiram fechar acordo por dois anos, além de metalúrgicos e petroleiros.

Inflação subiu

“O desempenho dos reajustes salariais guarda certa correspondência com a evolução da taxa de inflação no período, ou seja, quanto maior o índice de inflação, mais difícil a negociação da reposição da perda salarial”, observa o instituto. “Note-se que é expressiva a proporção de reajustes salariais inferiores ao INPC-IBGE nas datas-bases que ocorreram em situação de aceleração da inflação – em especial, as do último trimestre do ano.” Em junho, o INPC em 12 meses somava 2,05%. Em novembro, havia subido para 4,77%.

Entre as regiões, o Sul teve 45% de campanhas salariais com acordos acima do INPC. As demais ficaram próximas, oscilando entre 35% e 36%. A maior incidência de reajustes abaixo da inflação foi registrada no Centro-Oeste (39,3%).

 

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

 

Navio plataforma Cidade de Itaguaí da petrobras, que opera no pré-sal, a 2.240 metros acima do fundo do mar — Foto: Daniel Silveira/G1

IMAGEM: DANIEL SILVEIRA/G1

 

Em meio ao choque provocado pela pandemia de coronavírus nos preços internacionais do petróleo, a arrecadação do Brasil com royalties e participações especiais encolheu em 2020. Levantamento do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a partir dos dados já divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mostra que essa fonte de receita somou R$ 37,2 bilhões no acumulado de janeiro a outubro, o que corresponde a uma queda de 15,9% na comparação com o mesmo período de 2019.

Mesmo a ligeira recuperação do preço do petróleo na reta final de 2020, a consultoria estima que a arrecadação total fechará 2020 abaixo de R$ 53 bilhões, com uma queda de cerca de 6% ante 2019.

Confirmada a projeção do CBIE, o resultado de 2020 será o pior desde 2017, quando os cofres públicos receberam R$ 30,47 bilhões. Para 2021, porém, a projeção é de recuperação e de arrecadação recorde.

Royalties são os valores pagos pelas petroleiras à União e aos governos estaduais e municipais dos locais produtores para ter direito a explorar o petróleo. Já as participações especiais são uma compensação adicional e são cobradas quando há grandes volumes de produção ou grande rentabilidade.

 

Esses valores fazem parte das chamadas receitas não-administradas e dependem de diversos fatores como preço do petróleo, do dólar e do volume de produção.

O que explica a queda em 2020

O levantamento do CBIE mostra que a queda da arrecadação em 2020 refletiu principalmente o tombo nos preços do petróleo, cuja média ficou em US$ 41,43 no ano passado, considerando o barril do tipo Brent (principal referência internacional), contra US$ 64,34 em 2019.

Em março, o barril de Brent chegou a cair abaixo de US$ 20. Já nos EUA, o petróleo WTI chegou a fechar em nível negativo pela 1ª vez na história. Em dezembro, o preço médio do Brent subiu para US$ 49,87, com os mercados reagindo às notícias de avanços nas vacinas contra a Covid-19 e perspectiva de recuperação da economia global. Desde o começo de 2021, porém, o petróleo tem sido negociado ao redor de US$ 55.

"O que ajudou para não ficar pior a situação da arrecadação foi o câmbio", sócio-diretor do CBIE, Adriano Pires, lembrando que a moeda brasileira chegou a ser a que mais se desvalorizou no mundo frente ao dólar no ano passado. Em maio, chegou a bater R$ 5,90.

O dólar teve taxa média de câmbio de R$ 5,14 em 2020, contra R$ 3,95 em 2019.

A maior produção nacional também ajudou a amenizar o efeito do tombo nos preços internacionais na arrecadação com royalties.

Segundo o levantamento, a produção média de óleo e gás subiu para 3,24 milhões de barris/dia em 2020, ante 2,89 milhões de barris/dia em 2019.

Petrobras registra recordes de produção total e de óleo em 2020
Queda da arrecadação foi maior para a União
A queda em 2020 representou um choque adicional para as receitas da União e de governos de estados e municípios produtores.

A receita direcionada para o estado do Rio de Janeiro, por exemplo, caiu mais de R$ 1 bilhões no período de análise, ou 12,2%, calcula o CBIE. Já a de São Paulo diminuiu em cerca de R$ 600 milhões, ou 33%.

Pela lei atual, estados sem extração de petróleo recebem 7% de royalties e municípios sem extração de petróleo recebem 1,75% dos royalties.

Uma lei sancionada em 2012 e suspensa em 2013 pela ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal federal (STF) previa que estados e municípios sem extração de petróleo receberiam 21% dos royalties e, a partir de 2020, 27% do total arrecadado pela União. Desde a decisão da ministra, o julgamento da liminar pelo plenário do STF já foi adiado três vezes.

Fux adia julgamento sobre divisão de recursos do petróleo
Perspectivas para 2021
O cenário para 2021 é de otimismo, uma vez que os preços internacionais do petróleo têm mostrado uma trajetória de recuperação em meio à expectativa de avanço da vacinação contra o coronavírus no mundo e de retomada da economia global.

A CBEI projeta um aumento de ao menos R$ 7 bilhões na arrecadação de royalties em 2021 no Brasil, podendo chegar a um acréscimo de mais de R$ 20 bilhões, caso se confirme a expectativa de preços médios do barril de Brent a US$ 60 no ano.
“2021 promete porque o preço do barril deve subir e vamos ter um boom de commodities. Com as vacinas, a eleição do [Joe] Biden nos Estados Unidos e a vitória dos democratas no Senado americano, acredito que vamos ter um petróleo a 60 dólares o barril e um ano espetacular para a arrecadação de royalties”, avalia Pires.

No cenário conservador, com petróleo a US$ 48,53, a consultoria projeta uma arrecadação de R$ 59,85 bilhões em 2021, ou crescimento de 13,7% na comparação com 2020. Já no cenário otimista, com o barril a US$ 60 na média, a receita total com royalties e participações especiais chegaria a R$ 74 bilhões, um aumento de 40,6%.

As estimativas consideram ainda um dólar médio a R$ 4,90 e a projeção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, de produção média de 3,30 milhões de barris/dia em 2021 no Brasil.

Entre os principais fatores que podem influenciar as cotações internacionais no ano estão as incertezas relacionadas à pressão da Arábia Saudita por conformidades nos cortes de produção nos países membros da Opep+ , assim como os altos estoques no mundo e, sobretudo, a dinâmica da pandemia.

Do ponto de vista do crescimento da produção nacional, as perspectivas seguem favoráveis, segundo Pires, destacando que o pré-sal já responde por 66% da produção brasileira de óleo e gás.

"Nós já somos hoje os maiores exportadores de petróleo da América Latina”, afirma o especialista, que avalia também que o cenário pode ser favorável para a realização de novos leilões de áreas do pré-sal no segundo semestre do ano.

"Hoje tem no Congresso um projeto que propõe mudanças a lei da partilha. Então, é muito importante que isso seja aprovado rápido, antes do próximo leilão”, avalia.

FONTE: G1

Exportações para China

IMAGEM: PORTAL FGV

 

Alvo constante de críticas do presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, a China fechou o ano de 2020 como o maior comprador do agronegócio brasileiro.

Segundo o boletim da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a China foi o principal destino dos produtos nacionais, respondendo por 33,7% do total das vendas externas no ano passado. Os itens mais embarcados para o país asiático foram soja em grãos, carne bovina in natura e celulose.

Desde o início do governo, Bolsonaro e seus filhos não têm poupado críticas aos chineses, inicialmente por suposto interesse em comprar as terras do Brasil, depois pela oferta da tecnologia 5G e, mais recentemente, pela produção da vacina CoronaVac. As declarações já levaram a diversas manifestações da Embaixada Chinesa no Brasil.

As exportações do agronegócio nacional alcançaram a cifra de US$ 100,8 bilhões em 2020, um crescimento de 4,1% em relação a 2019. Trata-se do segundo maior valor em dez anos. O resultado garantiu uma balança comercial positiva para o Brasil, com saldo recorde de US$ 87,8 bilhões, segundo as informações da CNA.

Soja


Os itens mais embarcados para o país asiático foram soja em grãos, carne bovina in natura e celulose. Foto: Germano Rorato/Estadão
Os dados compilados a partir de informações do Ministério da Economia apontam que a soja em grãos foi o principal produto da pauta exportadora, com participação de 28,3% do total e receita de US$ 28,6 bilhões, resultado 9,6% superior que 2019.

A lista dos cinco produtos mais vendidos inclui carne bovina in natura (US$ 7,4 bilhões), açúcar de cana (US$ 7,4 bilhões), celulose (US$ 6 bilhões) e farelo de soja (US$ 5,9 bilhões).

A União Europeia foi o segundo principal mercado, com participação de 16,2% dos embarques, com destaque para farelo de soja, soja em grãos e café verde. Os Estados Unidos tiveram a terceira colocação, com parcela de 6,9%. Celulose, café verde e álcool etílico foram os produtos mais embarcados para o território americano.

Os lácteos somaram US$ 75,7 milhões em 2020 e, após sucessivas quedas entre 2017 e 2019, apresentaram elevação de 32,8% frente ao ano anterior. Os principais produtos exportados foram queijos (US$ 18,9 milhões), leite condensado (US$ 18,1 milhões), creme de leite (US$ 16,5 milhões), leite modificado (US$ 11,5 milhões) e leite em pó (US$ 3,8 milhões). Somados, eles representaram 91% das vendas externas do setor.

Fonte: Estadão

Navio está com cinco graus de inclinação por conta do excesso de peso Foto: Reuters

IMAGEM: REUTERS

 

Uma queda no volume de petróleo bruto armazenado em navios, combinada com cortes inesperados do principal produtor da Arábia Saudita, criou um excesso de navios disponíveis para locação, pressionando as perspectivas para superpetroleiros este ano.

Os ganhos dos transportadores de petróleo muito grandes (VLCCs) em 2020 atingiram recordes de mais de US $ 240.000 por dia, à medida que o coronavírus prejudicava a demanda, criando um excedente de petróleo e uma corrida para armazenamento em terra e no mar. Desde então, as taxas caíram para US $ 7.000 por dia.

“No momento, é realmente o pior para o mercado de VLCC. O armazenamento flutuante mais ou menos se desfez e o retorno dessa tonelagem ao mercado spot pressionou as taxas ”, disse Aristidis Alafouzos, diretor de operações da Okeanis Eco Tankers, à Reuters.

“A perda de 1 milhão de bpd da produção saudita equivale à destruição da demanda anualizada de petroleiros de 23 VLCCs.”

A Clarksons Research Services estimou que, em 22 de janeiro, 95 navios - o equivalente a 130 milhões de barris - estavam sendo usados ??para armazenamento, contra um pico de mais de 290 milhões de barris em maio do ano passado.

A IHS Markit disse que os volumes em navios - também estáticos por 14 ou mais dias - caíram para 52 milhões de barris, o nível mais baixo desde o pico em meados de 2020, quando atingiu 190 milhões de barris.

“A IHS Markit não espera uma repetição do crescimento explosivo do armazenamento flutuante do ano passado em 2021”, disse o analista principal Fotios Katsoulas.

“O declínio do armazenamento flutuante pode apoiar ainda mais os preços do petróleo no curto prazo, já que é considerado uma indicação de recuperação da demanda.”

Os números excluem a frota do Irã com petróleo e armazenamento não comercial de longo prazo por parte das empresas.

A demanda por armazenamento flutuante no auge da crise do ano passado também foi impulsionada por um contango de mercado, uma estrutura de preços em que as cargas para entrega no prazo mais curto são mais baratas do que as para entrega posterior. Isso incentiva os comerciantes a armazenar combustível até que os preços aumentem.

FONTE: REUTERS

Vacina da AstraZeneca

(Imagem: REUTERS/Dado Ruvic/Illustration)

 

União Europeia está pedindo à AstraZeneca que publique o contrato que assinou com o bloco para o suprimento de vacinas contra Covid-19, disse uma autoridade da UE nesta quarta-feira, uma escalada de uma crise a respeito dos atrasos nas remessas.

A empresa desistiu de uma reunião com a UE agendada para esta quarta-feira, acrescentou a autoridade.

Em uma entrevista concedida a jornais na terça-feira, o presidente-executivo da AstraZeneca, Pascal Soriot, disse que o contrato com a UE se baseou em uma cláusula de melhor esforço e não comprometeu a farmacêutica com um cronograma específico de entregas.

A distribuição de vacinas no bloco está sendo lenta, quando comparada à de países de outras regiões, especialmente o ex-membro Reino Unido, e assolada por problemas – as interrupções das cadeias de suprimento não sendo os menores deles.

O contrato do bloco com a AstraZeneca é um acordo de compra antecipada para o suprimento de ao menos 300 milhões de doses, contanto que a vacina seja aprovada por ser segura e eficiente.

Ainda nesta quarta-feira, o funcionário da UE disse que detalhes relevados por Soriot a respeito da capacidade produtiva e da cláusula de melhor esforço são confidenciais.

FONTE: MONEY TIMES

 

Foto: André Rodrigues/FramePhoto/Folhapress

 

A taxa de desemprego no Brasil foi de 14,1% no trimestre de setembro a novembro de 2020 e atingiu 14 milhões de pessoas. Os dados foram divulgados hoje e fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa foi a mais alta para esse trimestre desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012. Na comparação com o trimestre anterior (junho a agosto), o cenário é de estabilidade (14,4%). Já em comparação com o mesmo trimestre de 2019, são 2,9 pontos percentuais a mais (11,2%).

A pesquisa também identificou um aumento de 4,8% no número de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em novembro, chegando a 85,6 milhões. São 3,9 milhões de pessoas a mais no mercado de trabalho em relação ao trimestre anterior. Com isso, o nível de ocupação subiu para 48,6%. A analista da pesquisa, Adriana Beringuy, relaciona o crescimento da ocupação a dois fatores: o retorno das pessoas ao mercado de trabalho após a flexibilização das medidas restritivas sazonalidade de fim de ano especialmente no comércio.

O crescimento da população ocupada é o maior de toda a série histórica. Isso mostra um avanço da ocupação após vários meses em que essa população esteve em queda. Essa expansão está ligada à volta das pessoas ao mercado que estavam fora por causa do isolamento social e ao aumento do processo de contratação do próprio período do ano, quando há uma tendência natural de crescimento da ocupação. Adriana Beringuy, analista do IBGE.

Comércio se destaca

Segundo o IBGE, o aumento na ocupação foi mais intenso no comércio, sendo que mais 854 mil pessoas passaram a trabalhar no setor no trimestre encerrado em novembro. "O comércio nesse trimestre, assim como no mesmo período do ano anterior, foi o setor que mais absorveu as pessoas na ocupação, causando reflexos positivos para o trabalho com carteira no setor privado que, após vários meses de queda, mostra uma reação", disse Adriana Beringuy. A Indústria Geral (4,4%, ou mais 465 mil pessoas) e serviços sociais (2,6%, ou mais 427 mil pessoas) também se destacaram no aumento da população ocupada.

Informalidade em alta

A maior parte do crescimento da ocupação veio novamente do mercado informal. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado subiu 11,2%, (mais 980 mil pessoas) em relação ao trimestre anterior, chegando a 9,7 milhões de pessoas. Porém, em comparação com o mesmo trimestre de 2019, caiu 17,6% (menos 2,1 milhões de pessoas). "Os trabalhadores informais foram os mais afetados no começo da pandemia e também foram os que mais cedo retornaram a esse mercado", afirmou Adriana Beringuy.

Emprego formal cresce, mas não recupera nível pré-pandemia O número de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada aumentou 3,1% (895 mil pessoas a mais) em relação ao trimestre anterior, e agora soma 30 milhões. No entanto, se comparado ao mesmo período de 2019, essa categoria perdeu 1,7 milhão de trabalhadores. Embora haja esse crescimento na ocupação nesse trimestre, quando a gente confronta a realidade de novembro de 2020 com o mercado de trabalho de novembro de 2019, as perdas na ocupação ainda são muito significativas. Adriana Beringuy.

O total de pessoas ocupadas no país caiu 9,4% na comparação com o trimestre encerrado em novembro de 2019, o que representa uma redução de 8,8 milhões de pessoas. "O avanço da ocupação é significativo, tanto em aspectos quantitativos quanto qualitativos, uma vez que vimos o crescimento da população com carteira assinada e a sua disseminação por diversas atividades. Mas a gente ainda está bem distante de um cenário pré-pandemia", completa.

Desalentados

Metodologia da pesquisa A Pnad Contínua é realizada em 211.344 casas em cerca de 3.500 municípios. O IBGE considera desempregado quem não tem trabalho e procurou algum nos 30 dias anteriores à semana em que os dados foram coletados. Existem outros números sobre desemprego, apresentados pelo Ministério da Economia, com base no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Os dados são mais restritos porque consideram apenas os empregos com carteira assinada.

FONTE: UOL ECONOMIA

O que muda com a reforma trabalhista

IMAGEM: REINALDO CANATO/VEJA.COM

 

Pandemia e desmonte do Estado de bem estar-social, a partir de reformas prejudiciais aos trabalhadores, impõem cenário preocupante para o futuro próximo. “Podemos ter um país de miseráveis’, aponta especialista do Dieese, em debate do FSM 21

São Paulo – A pandemia de covid-19 aliada às políticas de desmonte do Estado vão aprofundar a pobreza e a miséria no Brasil. Essa é a conclusão da diretora técnica adjunta do Dieese Patrícia Pelatieri, durante participação em um debate intitulado “Previdência Social Pública e Classe Trabalhadora”. O evento foi organizado pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) como parte das atividades do Fórum Social Mundial Virtual 2021.

Patrícia faz relação direta entre a falta de políticas públicas de geração de emprego e renda e de amparo ao trabalhador durante a pandemia pelo governo do presidente Jair Bolsonaro com a reforma da Previdência, aprovada no fim de 2019. “Antes da pandemia os dados já apontavam para isso (crescimento da pobreza). Agora, o sentimento dos trabalhadores e das trabalhadoras será de urgência por um Brasil sem miséria. É uma tragédia nacional, essa é a real dimensão”, disse.

País de miseráveis

A especialista explicou que o sistema da Previdência foi fragilizado, e que com o derretimento dos empregos formais, ela pode se tornar cada vez mais insignificante. “Existe um sistema de compensações. Quem está no mercado de trabalho hoje mantém os aposentados e pensionistas. É um sistema de repartição. Esse formato permanece mesmo com as reformas. Isso é importante porque, como a Previdência é contributiva, o que acontece no mercado de trabalho hoje impacta diretamente sobre ela no futuro.”

“Se pudéssemos sintetizar o que pode acontecer com os trabalhadores olhando para o desemprego, a pandemia e as mudanças na Previdência, seria a imagem da miséria. Pode acontecer um aumento muito acelerado da miséria e da pobreza. Inclusive de pessoas mais velhas que perdem a proteção social. Podemos ter um país de miseráveis”, continuou Patrícia.

Olhar para o futuro

Diante do cenário, considerado preocupante, o presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, conclama a sociedade para manter a luta sobre a Previdência ativa. “Que os trabalhadores não desistam da Previdência. Dependendo de como ela estiver, muitos trabalhadores vão deixar de querer pagar a Previdência, pensando somente na aposentadoria em si”, disse.

Paulo alertou sobre os impactos nefastos do desmonte do Estado a partir de urgências de hoje. “Temos o maior sistema de Saúde do mundo. O único que tem uma plataforma capaz de vacinar todos. Querem destruir. A Previdência é a maior carteira de benefícios do mundo também. Conquistamos tudo isso e agora querem destruir. Precisamos mobilizar para que possamos refletir sobre tudo isso. Fundamentalmente como reverter esses ataques”, disse.

A partir deste pensamento, Patrícia pediu a mobilização em torno da revisão de reformas prejudiciais aos trabalhadores. “Desde 2016 tivemos uma redução da proteção social, redução nos investimentos em áreas sociais, desestruturação do mercado de trabalho, economia desaquecida, baixo dinamismo, tudo isso em razão das reformas feitas. A Emenda Constitucional 95 – do Teto de Gastos –, as reformas trabalhista e da Previdência e as privatizações”, citou.

“Tudo isso nos levou a uma mais alta concentração de renda e fragilização dos (direitos dos) trabalhadores. É urgente a implementação de ampliação e financiamento do gasto público. Existem opções. Precisamos de uma reforma tributária que eleve impostos dos super ricos e a torne mais progressiva, retirar imediatamente o teto de gastos. O cenário é muito preocupante. Precisamos de renda cidadã urgente. Precisamos elevar as parcelas do seguro desemprego. Estimular o investimento público para que a economia retorne. Precisamos de políticas ativas no mercado de trabalho. Urgentemente, precisamos repactuar os direitos trabalhistas”, completou.

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

IMAGEM: J. R. Riper /Imagens Humanas

 

Fiscais de Bahia, Maranhão, Minas Gerais e Pará apontam dificuldades e tendências. E lembram dos 17 anos de Unaí

São Paulo – Com mais de 55 mil trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão (nas condições previstas pelo sempre visado Artigo 149 do Código Penal) em 25 anos, o perfil dessa prática vem se modificando aos poucos. Continuam as ocorrências em plantações, carvoarias e pastos, por exemplo, mas o trabalho escravo em áreas urbanas vem ganhando espaço, apontam auditores-fiscais.

Quatro deles – de Bahia, Maranhão, Minas Gerais e Pará – participaram de live ontem (27) à noite, apontando desafios, dificuldades e tendências. A mediação foi de André Roston, ex-chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae).

A atividade fez parte da Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo. Esta quinta-feira (28) marca os 17 anos da chacina de Unaí (MG), em que três fiscais e um motorista foram mortos a tiros. Debate virtual sobre o assunto e ato público serão realizados a partir das 14h30 com transmissão na página do Sinait, o sindicato dos auditores-fiscais.

Tempos sombrios

A auditora Ivone Beumecker, de Minas, se emociona ao lembrar. “Eu fui várias vezes com as famílias ao lugar onde eles foram assassinados. Foram tempos sombrios. Nossos colegas precisam de justiça”, afirmou. Ela disse esperar que “especialmente os senhores Antério e Norberto Mânica possam pagar em vida”.

Os dois irmãos foram condenados como mandantes do crime, mas o julgamento de Antério, ex-prefeito de Unaí e fazendeiro, foi anulado depois que Norberto assumiu a culpa. Ele recorre em liberdade, assim como os apontados como intermediários. Apenas os executores estão presos.

Resgate após 38 anos

Ivone citou a evolução das ações de combate ao trabalho escravo, a partir da criação dos grupos móveis de fiscalização. De 1995 a 1999, por exemplo, foram seis ações e 46 resgatados em Minas Gerais. De 2008 a 2012, 343 e 1.108, respectivamente e de 2013 a 2020, 385 e 2.124. Segundo ela, o estado responde por 11,25% do total nacional. “Essa humanidade tem rincões muito desumanos.”

Um caso de muita repercussão em 2020, lembrou, foi o de Madalena Gordiano, em Patos de Minas. Ela foi adotada (e escravizada) aos 8 anos e permaneceu nessa situação até os 46 anos, quando foi resgatada por auditores e pela Polícia Federal.

Trabalho doméstico

Há muitas “Madalenas” também na Bahia, afirmou a auditora Liane Durão de Carvalho, que coordena grupo específico no estado. Ela destaca histórias parecidas e tendência crescente de operações envolvendo trabalho doméstico. No ano passado, foram quatro, resgatando dois homens e duas mulheres. Uma delas “cuidava da casa em troca de roupas, remédios e alimento, nunca recebeu salário”.

Mesmo sem se sentir parte da família, conta Liane, a trabalhadora se sentia responsável pela casa. “Não tinha vida social, não tinha contato familiar, não tinha descanso. Ela vivia para aquela família, não tinha vida própria.” A auditora-fiscal destaca a dificuldade de evitar, algumas vezes, que os resgatados retornem à mesma situação. “Falta punir os escravocratas”, acrescentou.

Impunidade predomina

Paulo Lásaro de Carvalho Filho, do Maranhão, também apontou a impunidade como fator que dificulta o fim da prática. Além da necessidade de mais efetivo. De 2001 a 2010, o estado resgatou 2.325 trabalhadores, chegando a 445 apenas em 2005. Nos 10 anos seguinte, foram 531. A redução, segundo ele, se deve em parte aos resultados da fiscalização. Mas também à falta de auditores.

Na primeira década do século 21, diz o auditor, predominavam os resgates em atividade agropastoris, principalmente pecuária extensiva de corte, além de carvoarias e plantações de milho e soja. Havia certa concentração na chamada região tocantina, no sul do estado (Imperatriz e outros municípios), mas aos poucos a prática se espalhou. Além da dispersão, ele também observou aumento dos casos de trabalho escravo em áreas urbanas.

Como em fevereiro do ano passado, quando 16 trabalhadores vindos de Juazeiro (CE) foram resgatados em São Luís, para onde foram levados, em condições precárias, a fim de vender utensílios de porta em porta. As famílias ficavam devendo um “adiantamento”. Por isso, Paulo Lásaro defende ação articulada entre os vários órgãos públicos envolvidos. “O combate ao trabalho escravo não se esgota no resgate.” Depois, observa, é preciso garantir inserção do trabalhador em políticas públicas.

Liberdade não tem preço

Jomar Sousa Ferreira Lima, auditor do Pará, lembra que originalmente o trabalho escravo coincide com a questão da luta por terra. Havia incidência em pastos e carvoarias, várias vezes com menores. Apesar das ações, rapidamente essas atividades eram retomadas, muitas vezes com os mesmos trabalhadores.

As ocorrências se expandiam para garimpos e, mais recentemente, para a construção civil. O fiscal aponta ainda a incidência de trabalho escravo e infantil na cultura do açaí. Com pessoal e recursos insuficientes, o estado não tem grupo específico. “Um trabalhador resgatado justifica todo custo. Nada paga o preço da liberdade das pessoas.”

 

FONTE: REDE BRASIL ATUAL

Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.

MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

 

A pandemia da Covid-19 forçou muitas empresas a adotarem o teletrabalho por causa da exigência de isolamento social. Possível para 22,7% das ocupações no país, essa forma de trabalho trouxe polêmicas sobre as relações do capital com o trabalho.

 

Como garantir segurança, saúde e respeito às leis trabalhistas já tão precarizadas? Como manter a jornada de trabalho de 44 horas semanais, por exemplo? A questão é tão candente que existem inúmeros projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional com a intenção de regular essa forma de trabalhar.

Inclusive o MPT (Ministério Público do Trabalho) divulgou em setembro do ano passado a Norma Técnica 17/20 com instruções de procedimentos e obrigações para um bom andamento das funções de quem vende a força de trabalho.

O setor patronal critica as instruções do MPT como “impraticáveis” e “desfavoráveis” à manutenção do emprego e os representantes da classe trabalhadora lutam para garantir os direitos trabalhistas de todas e todos.

A discussão está apenas começando. Para a juíza do Trabalho, Valdete Souto Severo, presidente da AJD (Associação Juízes para a Democracia), não há necessidade de uma nova legislação porque “nós precisamos que as regras que temos sejam cumpridas e aí estou falando da Constituição de 1988, que garante relação de emprego e limite à jornada, ambiente saudável de trabalho, entre outras coisas”.

Em entrevista ao Portal CTB, Valdete afirma ser necessário combater a precarização do trabalho na sua integralidade. “A opção legislativa no Brasil foi exatamente o contrário disso. Foi inserir na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) com a reforma trabalhista mais um inciso no artigo 62 para dizer que também quem realiza teletrabalho não está atingido pelas normas de regulação e limitação do tempo de trabalho, o que a nossa jurisprudência e a doutrina majoritária entendem que essas pessoas não têm registro de horário de trabalho e em consequência não há pagamento de horas extras”.

Mas, para a juíza gaúcha, não é difícil de manter o teletrabalho em condições adequadas. “Não há dificuldade alguma em impor limitação de horário. Se nós temos tecnologia suficiente para que o trabalho seja exercido por meios virtuais, basta criar dispositivo que limite a possibilidade de acesso a esse ambiente virtual em que o trabalho é realizado”.

Muitos juristas concordam que a lei já regulou o teletrabalho, mas as divergências são grandes e o debate permanece aberto e as instruções do MPT para a sociedade e para quem atua na Justiça do Trabalho são importantes.

Em concordância com Valdete, a secretária de Políticas Sociais da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Vânia Marques Pinto lembra que “é muito comum acontecer de não notarmos o excesso de trabalho quando estamos em casa. Parece que dormimos com o computador e acordamos com o celular tamanho o excesso”.

De qualquer forma, não se pode cair no engodo da negociação entre patrão e empregado, que sempre deixa quem vive do trabalho em desvantagem, ainda mais na situação de alto índice de desemprego e necessidade de isolamento social por causa da pandemia.

De acordo com Valdete “a forma como estamos lidando com o teletrabalho no Brasil, aceitando que ele seja também uma forma de trabalho precarizado” ajuda a criar “uma sociedade de pessoas adoecidas” e “esse resultado já está aparecendo. Só que ele vai se agravar muito mais” se não “nos atentarmos para a necessidade de respeito às leis de convívio social”.

A pandemia trouxe a necessidade de se trabalhar em casa para muita gente, que transformações isso trouxe ao mundo do trabalho?

Valdete Souto Severo: O teletrabalho trouxe inúmeras e profundas mudanças que ainda não foram bem dimensionadas pelas pessoas porque mudou inclusive o que nós compreendemos como espaço de casa e espaço de trabalho.

Isso dificulta em larga medida a regulação do tempo de trabalho porque ao contrário do que nós podíamos fazer como opção política que é a criação de mecanismos para que os aplicativos, os e-mails, os programas saíssem do ar depois de determinado horário para evitar que as pessoas trabalhassem por mais tempo que a jornada prevista.

Na realidade o que ocorre não é o oposto?

A opção legislativa no Brasil foi exatamente o contrário disso. Foi inserir na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) com a reforma trabalhista mais um inciso no artigo 62 para dizer que também quem realiza teletrabalho não está atingido pelas normas de regulação e limitação do tempo de trabalho, o que a nossa jurisprudência e a doutrina majoritária entendem é que essas pessoas não têm registro de horário de trabalho e em consequência não há pagamento de horas extras e uma efetiva limitação porque sabemos muito bem o que acontece num país capitalista no qual nós já introjetamos de forma naturalizada a violência da lógica de metas.

Quais as consequências dessa opção?

As pessoas estão trabalhando bem mais, o que acarreta consequências de várias ordens. As consequências físicas e psíquicas pelo excesso de trabalho, pelo fato de permanecer muito tempo sentado, em vez de realizar uma atividade de se movimentar. Muitas pessoas que estão em teletrabalho já evitam sair de casa por estarmos em uma pandemia e o trabalho por meio telemático via de regra é exercido sentado, o que não é uma situação cômoda para o corpo humano. Isso gera uma série de adoecimentos físicos tanto quanto psíquicos e emocionais.

Como isso acontece?

As pessoas estão se relacionando através de uma tela de um computador ou de um telefone e isso pode parecer algo simples. Inclusive, as novas gerações vêm com certa naturalidade, mas isso não é natural. Isso tem uma implicação até no nosso inconsciente, na nossa forma de enxergar o outro.

Então somos um modelo de sociedade que já aposta no individualismo, o que já nos dificulta desde antes do nascimento e desde que nascemos através de vários mecanismos e estruturas como a competição na escola, a forma como a família é organizada nos dificulta ver o outro como alguém que nos complementa, como alguém que faz parte da nossa existência. Algo que hoje está sendo bastante discutido, especialmente no âmbito da doutrina feminista negra, da doutrina indígena, mas para a sociedade Ocidental isso é um desafio porque nós não somos ensinados a atuar como seres sociais, embora sejamos seres sociais. Soma-se a isso o trabalho atrás de uma tela de computador em que as pessoas não são mais de carne e osso, não têm cheiro, não têm proximidade.

O isolamento social adoece a sociedade ainda mais?

As pessoas se comunicam através de mensagens pelo WhatsApp ou no máximo por uma tela. É evidente que essa característica que é própria do sistema capitalista e se aprofunda. Essa também é uma tendência que gera problemas individuais, psíquicos, emocionais, mas que também gera um adoecimento social. Eu poderia dar inúmeros exemplos de adoecimento social.

A forma como as pessoas estão mais violentas, a impaciência com a dificuldade de determinadas pessoas, a facilidade com que uma briga no trânsito vira um crime de tentativa de homicídio porque um tiro é disparado, o aumento da violência doméstica. Tudo isso é em alguma medida consequência desse isolamento social que o teletrabalho potencializa.

A reforma trabalhista já precarizou as relações de trabalho. A atuação do MPT e uma legislação específica poderia mudar essa situação?

O MPT está fazendo o seu papel de determinar instruções aos patrões e empregados. Isso é legítimo.

Mas há uma discussão e inclusive existem inúmeros projetos de lei propostos para a regulamentação do teletrabalho, assim como existe também para regulamentação do trabalho através de plataformas digitais, que se convencionou chamar de uberização.

Isso me parece um grave equívoco. Pretender mais legislação como se isso, numa lógica ainda vinculada à racionalidade moderna liberal do século 17 fosse garantia de mudança cultural. Nós temos, sem dúvida nenhuma, um modelo social que ainda está ancorado nesses pressupostos.

Por exemplo, de que é preciso uma lei, portanto um texto que nos condicione a agir de determinada maneira, o que em alguma medida, por vezes, funciona. Basta pensarmos na lei que determina a obrigação do uso do cinto de segurança e como ela acabou mudando a nossa cultura em relação à forma de dirigir ou de estar dentro dos veículos automotores. Mas o que precisamos entender é que existem questões que são culturais e, por isso, não serão alteradas senão através da cultura, sobretudo quando nós já temos uma regra e esse é o caso do teletrabalho e do trabalho belisário (infeliz).

Então não precisamos de nova legislação sobre o tema?

Nós precisamos que as regras que já temos sejam cumpridas e aí estou falando da Constituição de 1988, que garante relação de emprego e limite à jornada, ambiente saudável de trabalho, entre outras coisas. Por que não observar esses direitos para quem está em teletrabalho? Não há dificuldade alguma em impor limitação de horário. Se temos tecnologia suficiente para que o trabalho seja exercido por meios virtuais, basta criar dispositivo que limite a possibilidade de acesso a esse ambiente virtual no qual o trabalho é realizado. Já temos as regras, portanto.

Então imagine que hoje no contexto de um Parlamento tão conservador, de um governo absolutamente hostil à classe trabalhadora e de um Poder Judiciário que tem, em alguma medida, ratificado o desmanche da legislação social, como seria essa legislação? Se fosse possível acreditar que uma legislação de teletrabalho para dizer da obrigação de quem emprega força de trabalho, de criar limites ao uso dos meios digitais e, portanto, limitar efetivamente a jornada, seria possível a aposta numa legislação como algo positivo para a classe trabalhadora?

Certamente não é o que vai acontecer porque não é isso o que os projetos de lei em tramitação preveem. Na minha opinião, portanto, não há nenhuma necessidade de nova legislação. O que precisamos é voltar a aplicar a CLT e a ter vontade de fazer valer a Constituição, as regras trabalhistas que estão na Constituição da República para todas as pessoas que vivem do trabalho, acabando com esses nichos onde o direito do trabalho não tem conseguido ingressar.

Como garantir segurança e saúde no teletrabalho então?

Na realidade não há nenhuma dificuldade insuperável para garantir a segurança e a saúde de quem trabalha através de meios telemáticos. O que acontece é que há sim uma opção política no sentido de precarizar todo o trabalho. Claro, quando pensamos no teletrabalho, por exemplo, todos os problemas físicos que decorrem do trabalho sentado diante de uma tela de computador, a primeira questão que vem à mente é de como o fiscal de trabalho ingressaria nas casas das pessoas para verificar a ergonomia ou como um agente de saúde pública faria esse controle para evitar, para prevenir o adoecimento.

Na realidade o nosso raciocínio ainda está invertido porque para a realização do teletrabalho é que quem emprega deveria demonstrar que forneceu os equipamentos adequados às instruções assim como ao acompanhamento.

Tem como exemplificar?

Se eu preciso, por exemplo, começar a dar aula por meio virtual, é a escola ou a universidade que precisam fornecer os meios telemáticos, inclusive acesso à internet e também verificar que os equipamentos sejam de tamanho e forma adequadas à minha altura, ao meu peso, etc. Também fornecer a manutenção feita por alguém da empresa que possa visitar a casa dos colegas e que faça esse trabalho por meio pessoal ou virtual, que dê orientação, como por exemplo, o Tribunal da 4ª região de Porto Alegre tem de orientação ergonômica. Isso é um dever do empregador.

O empregador não precisa de uma lei para cumprir com sua obrigação?

Não precisa de uma nova lei. Já está na Constituição. O que temos lá pode prevenir o problema. Seguindo as normas constitucionais podemos fazer a regulação efetiva da jornada de trabalho, tirando do ar o acesso a esses meios virtuais pelos quais se trabalha. Além do pagamento de eventuais horas extraordinárias e a atuação de quem emprega, criando condições ergonômicas de trabalho. Isso é mito complicado porque existem pessoas que não possuem em suas casas um local adequado, com iluminação adequada ou espaço com o silêncio necessário para trabalhar por meio telemático. Essas pessoas não podem simplesmente serem jogadas para a atividade do teletrabalho porque elas vão adoecer.

As condições adequadas de trabalho evitam o adoecimento?

Na verdade, elas já estão adoecendo. E isso não é um problema individual a ser tratado com o plano de saúde, mediante ao afastamento do trabalho. Nem terá solução efetiva se ficarmos apenas combatendo a consequência, ou seja, verificando os adoecimentos. E pensando em qual forma de tratamento essas pessoas precisam ter.

Para evitar que o adoecimento aconteça o melhor modo é garantir a essas trabalhadoras e trabalhadores a integralidade dos direitos que já estão previstos, repito, na Constituição e na CLT. Isso não é mera retórica. Isso significa, por exemplo, como consta no artigo 2º da CLT, o empregador deve fornecer os meios para execução do trabalho. Então precisa ter um teclado adequado e um adaptador. A cadeira deve ser ergonômica, a altura tem que estar certa, a tela do computador deve estar na forma correta. Se isso não acontece já estamos colocando a saúde dessa pessoa em risco e com isso o adoecimento acontecerá.

Da forma como estamos lidando com o teletrabalho no Brasil, aceitando que ele seja também uma forma de trabalho precarizado. O que está provocando uma sociedade adoecida. Esse resultado já está aparecendo só que ele vai se agravar muito mais. Vai se agravar com o tempo e vai se agravar com a soma dessas consequências que antes eu disse não terem sido ainda bem dimensionadas para o convívio familiar e social dessas pessoas que estão sendo obrigadas a trabalhar 8, 10, 12 horas por dia isoladas à frente da tela de um computador.

 

FONTE: DIAP

Marcos Aurélio Ruy,
no portal da CTB

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa extraordinária.   Geral do Plenário.   Foto: Roque de Sá/Agência Senado

IMAGEM: ROQUE DE SÁ/AGÊNCIA SENADO

 

Mineiro e sul-mato-grossense disputam

Dos 20 presidentes, 17 foram das regiões

A disputa entre os senadores Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Simone Tebet (MDB-MS) deve quebrar uma sequência de 20 anos na presidência do Senado. Será a primeira vez depois desse período que um congressista não eleito nas regiões Norte ou Nordeste assumirá a direção da Casa.

Desde 1985, foram 20 presidentes da Casa, todos homens. Desses, 17 eram do MDB e 17 de Estados do Norte ou Nordeste.

presidentes do Senado desde 1985

dos 20 senadores que ocuparam o cargo, 17 eram do PMDB

senadormandatoEstadopartido
José Fragelli 1985-1987 MS PMDB
Humberto Lucena 1987-1989 PB PMDB
Nelson Carneiro 1989-1991 RJ PMDB
Mauro Benevides 1991-1993 CE PMDB
Humberto Lucena 1993-1995 PB PMDB
José Sarney 1995-1997 AP PMDB
Antônio Carlos Magalhães 1997-1999 BA PFL
Antônio Carlos Magalhães 1999-2001 BA PFL
Jader Barbalho 2001-2003 PA PMDB
Ramez Tebet 2001-2003* MS PMDB
José Sarney 2003-2005 AP PMDB
Renan Calheiros 2005-2007 AL PMDB
Renan Calheiros 2007-2009 AL PMDB
Garibaldi Alves Filho 2007-2009* RN PMDB
José Sarney 2009-2011 AP PMDB
José Sarney 2011-2013 AP PMDB
Renan Calheiros 2013-2015 AL PMDB
Renan Calheiros 2015-2017 AL PMDB
Eunício Oliveira 2017-2019 CE PMDB
Davi Alcolumbre 2019-2021 AP DEM
Rodrigo Pacheco 2021-2023 MG DEM
Simone Tebet 2021-2023 MS MDB

*eleito que o presidente anterior renunciou ao cargo/Fonte: Senado Federal

Esta será só a 4ª vez no período que o chefe do Senado não será dessas regiões. Antes disso, a última vez que aconteceu foi em 2001, quando o pai de Simone Tebet, Ramez Tebet (PMDB-MS), foi eleito depois que Jader Barbalho (PMDB-PA) renunciou ao cargo.

Só outros 2 presidentes foram de outras regiões: em 1985, José Fragelli (PMDB-MS) e em 1989, Nelson Carneiro (PMDB-RJ). A vitória da senadora emedebista manteria a lista de Estados ocupando a presidência inalterada, mas a de Pacheco alçaria Minas Gerais ao cargo pela 1ª vez.

A disputa parece favorecer o lado do mineiro. Virtualmente, já conseguiu 48 votos de apoios declarados até agora. Para ser eleito é necessário ao menos 41 votos. Tebet começou sua campanha depois e angariou 29 senadores apoiando sua candidatura. Seria a 1ª mulher a presidir o Senado na história.

Caso o cenário se confirme, o MDB ficará mais uma vez fora da presidência. Isso não era comum até 2019, quando o demista Davi Alcolumbre (AP) se aproveitou do racha emedebista e da diversidade de candidatos para se eleger.De todos os senadores eleitos para ocupar a presidência, desde 1985, só Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) foram os únicos sem ser da sigla.

Estados e siglas dos presidentes do Senado

de 1985 até hoje, só 2 foram de fora das regiões Norte e Nordeste

EstadoDEMPFLPMDBtotal geral
AL 0 0 4 4
AP 1 0 4 5
BA 0 2 0 2
CE 0 0 2 2
MS 0 0 2 2
PA 0 0 1 1
PB 0 0 2 2
RJ 0 0 1 1
RN 0 0 1 1
total geral 1 2 17 20

 

fonte: Senado Federal

HORÁRIO MARCADO

Na 2ª feira (25.jan), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, oficializou em sua conta no Twitter que a eleição para a presidência do Senado será na próxima 2ª feira (1º.fev) às 14h.

A CORRIDA ELEITORAL

Com a campanha na rua há mais tempo que Tebet, Pacheco já angariou apoios de membros de 12 partidos e está próximo da vitória.

O voto, entretanto, é secreto, o que permite dissidências nas bancadas que já anunciaram apoios a um ou outro candidato. O PP por exemplo, que apoiou Pacheco, tem o senador Esperidião Amin (PP-SC) que declarou voto em Tebet.

Além do próprio MDB, que ainda tem 2 votos a serem conquistados pela senadora, o Podemos também não conseguiu entregar os seus 9 votos à Tebet. Romário (Podemos-RJ) e Marcos do Val (Podemos-ES) devem ir com Pacheco. Já o PSDB se dividiu e a maioria ficou ao lado do mineiro. O Poder360 mostrou que nem todos da bancada do MDB devem votar na senadora.

FONTE: PODER 360
 

 

Rio São Francisco chegou a níveis muito baixos e hidrelétricas tiveram de diminuir produção durante a longa estiagem iniciada em 2012. Foto: Lorena Maniçoba/Divulgação

IMAGEM: LORENA MANIÇOBA/DIVULGAÇÃO

 

Painel promovido pelo FSM discutiu estratégias em busca da democratização da economia, num cenário de crise internacional que combina fome com aquecimento global

São Paulo – A luta contra o neoliberalismo ganhou novas formas desde a primeira edição do Fórum Social Mundial (FSM), em 2001. Vinte anos depois, a crise climática global escancara a necessidade de mudanças no sistema produtivo. Baseado no livre comércio sob comando das grandes corporações internacionais, esse sistema vem aumentando as desigualdades sociais, a fome e a devastação do meio ambiente. A pandemia do novo coronavírus torna ainda mais agudo todos esses processos.

Para dar respostas a esses desafios, lideranças do movimentos sociais e especialistas de diversas partes do planeta participaram nesta segunda-feira (25) de um painel virtual promovido pelo FSM que discutiu estratégias em busca da democratização da economia.

Reforma agrária, justiça fiscal, suspensão do pagamento das dívidas e mudança do papel do estado foram algumas das saídas propostas. Uma economia feminista, baseada no cuidado, além de outras formas solidárias de organização e produção também foram apresentadas como alternativas.

Fome e clima

Para o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, a pandemia agudizou os efeitos da crise financeira internacional que começou em 2008. Desde então, o capital financeiro internacional busca estratégias para “cobrir os rombos que eles mesmos criaram”. Em diversos países, da Espanha à Grécia, passando pelo Brasil, isso tem se dado na forma da retirada de direitos sociais. “Estamos vendo uma América Latina muito mais empobrecida nos dias de hoje do que há cinco ou seis anos atrás, fruto também dessa crise”, afirmou.

Além disso, a implementação das novas tecnologias no mundo do trabalho tem aprofundado o processo de precarização. Com a chamada “uberização”, a jornada de trabalho de oito horas diárias tem sido abandonada paulatinamente. “Com esse mundo do home office, não vamos ter apenas as 8 horas de trabalho. Vamos passar para dez, 15, 17 horas trabalhadas, sem que os trabalhadores tenham direito a essa mais-valia produzida”.

No campo, o mesmo se dá com a intensificação do uso de máquinas e tratores, combinados com a aplicação de agrotóxicos. Com a intensificação da produção de commodities em larga escala, como o milho e a soja, a tendência, segundo João Paulo, é de redução das áreas destinadas a produção de alimentos, como o arroz e o feijão.

Segundo ele, esse modelo de produção associado ao agravamento das condições climáticas deve produzir uma “combinação devastadora”. “Há um aumento da fome muito grande. A pandemia deixou mais evidenciado. No caso brasileiro, são aproximadamente 60 milhões rejeitados por esse modelo na fila do auxílio emergencial. (…) Não há possibilidade de haver, nos próximos cinco anos, uma baixa no preço do alimento”, afirmou.

Androcentrismo e feminismo

Para a colombiana Rosa Emilia Salamanca, diretora-executiva da Corporação de Investigação e Ação Social e Econômica (CIASE), a crise atual está relacionada ao “andocrentrismo” que predomina no funcionamento da economia. Essa estrutural, que coloca o homem no centro da produção, tem provocado a exclusão das mulheres, além da devastação ambiental.

Segundo ela, diversas correntes do feminismo na economia sugerem um outro modelo de integração, mais igualitário. A “economia do cuidado” é um dos “centros vitais” dessa mudança. “Não somente o cuidado diário com a própria comunidade, vital para reconstrução da economia, como também o cuidado com a natureza”, ressaltou.

Outra aposta, segundo ela, deve ser a “justiça fiscal”. Não apenas para que os tributos sejam cobrados de maneira mais equânime, mas também que sejam aplicados em políticas transformadoras. Dentre elas, Rosa Emilia citou a necessidade de implementação de uma renda básica. É uma ferramenta essencial, segundo ela, para conter a “exacerbação da violência econômica” contra as mulheres em toda a América Latina, quadro agravado pela pandemia.

Auditória da dívida

Para a economista Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida, “outro mundo é possível”. Mas, para tanto, é preciso combater o modelo tributário injusto em vigor que ela vem chamando de “sistema da dívida”. São mecanismos criados pelas autoridades monetárias nos diversos países que desviam para o sistema financeiro os recursos arrecadados. “A dívida pública deveria ser um instrumento para possibilitar investimentos públicos. Mas não funciona assim. Esse instrumento foi cooptado”, declarou.

Esse esquema é comandado, segundo ela, por instituições como o Banco de Compensações Internacionais (conhecido pela sigla BIS – Bank for International Settlements) e pelo Fundo Monetário Internacional. Funciona de modo equivalente seja na Europa ou na América Latina. Ela citou que, no Equador, por exemplo, após uma completa auditoria, o então presidente Rafael Corrêa anulou cerca de 70% da dívida pública, considerada “fraudulenta”. O mesmo padrão se repete nos demais países da região.

No Brasil, ela afirmou que esse quadro tem se agravado com o processo que ela chamou de “securitização da dívida“. Com ele, “os fundos públicos desaparecem durante o caminho para a rede bancária, impedindo investimentos sociais necessários”. Ela diz que os movimentos sociais em todo o mundo precisam se interessar pelo tema. “São vários mecanismos que se repetem em diversas partes do mundo. Por isso necessitamos dar as mãos e lutar de maneira conjunta. Só assim, outro mundo possível, urgente e necessário terá lugar”.

Suspender a dívida

O presidente do Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, Eric Toussaint, também chamou a atenção para a explosão do nível de endividamento em todo mundo, por conta da pandemia. Mas ele alertou que os movimentos progressistas não devem comemorar esse fato. De acordo com ele, mais do que um reforço da capacidade do estado, o aumento da dívida reflete a indisposição para aumentar a tributação sobre os mais ricos.

Além disso, passado o período mais agudo da pandemia, o crescimento da dívida pública voltará a ser utilizado como pretexto para a aplicação de medidas de austeridade fiscal. Por outro lado, ele defendeu não apenas a suspensão do pagamento da dívida externa dos países em desenvolvimento, bem como o não pagamento de dívidas privadas, como no caso do crédito estudantil abusivo a estudantes em países como Estados Unidos e Chile.

Outros temas

A economista Luciana Ghiotto, integrante da Associação por uma Taxa às Transações Financeiras e pela Ação Cidadã (Atttac Argentina) afirmou que as corporações transnacionais lutam hoje para impor tratados de cooperação internacional que limitam os poderes de regulação dos estados nacionais. Trata-se, segundo ela, de um aprofundamento dos acordos de livre comércio e de livre circulação de capital. Todos esses tem sido “fatais” para os povos dos países em desenvolvimento, em especial na América Latina. Ela defendeu que esses acordos também precisam ser auditados e combatidos.

Já a pesquisadora de Justiça e Desenvolvimento Econômico da Universidade de Nova York (NYCU), Jéssica Gordon, traçou uma trajetória dos mecanismos de solidariedade econômica criados pela comunidade negra nos Estados Unidos, desde a escravidão até a década de 1960, quando os negros nos Estados Unidos lutavam por direitos civis.

Por outro lado, o professor da Lakhwinder Singh, da Universidade de Punjab, no Paquistão, destacou a luta dos agricultores indianos contra a aplicação da Nova Lei de Agricultura, que vai aumentar ainda mais os poderes das megacorporações agrícolas. Com essa nova legislação, essas empresas terão maior controle sobre a terra, além de poder ditar os preços dos alimentos. Pelo menos 120 produtores rurais foram mortos em protestos contra essa nova legislação.

FONTE: REDE BRASIL ATUAL