IMAGEM: ANTAQ

Mesmo três anos após de o governo estabelecer oficialmente qual seriam as hidrovias prioritárias para concessões, o país segue utilizando menos da metade da extensão hidroviária prevista para o transporte de cargas.

Segundo novo levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transportes), elaborado pela Pezco Economics, atualmente são 20,4 mil quilômetros de vias navegáveis utilizadas economicamente, ante 41,7 mil quilômetros previstos no Plano Nacional de Viação.

No entanto, apesar da infraestrutura subutilizada, a navegação interior movimentou 91,3 milhões de toneladas em 2025, alta de 19,7% em relação ao ano anterior. Considerando também a parcela da cabotagem realizada em vias interiores, o volume chega a aproximadamente 116 milhões de toneladas, de acordo com dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) compilados no levantamento.

Entraves

O estudo identifica entraves à expansão do transporte hidroviário, como fragmentação da governança, insegurança regulatória, deficiências de infraestrutura e dificuldades de financiamento.

Segundo o documento, ampliar o uso dos rios brasileiros depende não apenas da existência de vias navegáveis, mas também de condições que garantam continuidade das operações e previsibilidade para os investimentos.

Entre as recomendações estão a criação de uma instância nacional de coordenação da política hidroviária, a elaboração de um Plano Setorial Hidroviário e o fortalecimento das ações de dragagem e manutenção dos rios. O estudo também defende a continuidade do Programa de Operação e Manutenção de Eclusas e o planejamento integrado de intervenções nos corredores logísticos.

A proposta é que os investimentos considerem, em conjunto, a demanda por transporte, as condições de navegação, os acessos terrestres, a disponibilidade de terminais e os custos de implantação e manutenção.

O documento sugere ainda aperfeiçoar os mecanismos de financiamento, inclusive com concessões quando forem viáveis, e estabelece uma agenda de desenvolvimento do setor com horizonte até 2046.

Atrasos

Desde que foi anunciado pelo Governo Federal, em 2023, as concessões hidroviárias sofreram atrasos sucessivos nos leilões. Em maio deste ano, chegou a ser anunciado que os primeiros leilões de hidrovias aconteceriam em 2027.

O único projeto hidroviário que tem avançado, mais recentemente, é o da Lagoa Mirim, que foi integrado à concessão de canal de acesso aos portos do Rio Grande do Sul.

O primeiro conflito aconteceu com a Hidrovia do Rio Madeira, em 2025, quando já era esperado uma disputa em bolsa. Na época, os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM) se manifestaram publicamente desfavoráveis à concessão, o que travou o projeto.

Oficialmente, a Antaq sempre falou que o projeto retornou para estudos para abranger mais condições de seca. Em 2023 e em 2024, o Rio Madeira sofreu com a estiagem severa e a navegação da hidrovia ficou prejudicada.

Depois, o governo tentou emplacar a concessão da Hidrovia do Paraguai. Porém, ambientalistas questionam o rigor nos processos ambientais do projeto e a licitação precisou ser paralisada.

Mais recentemente, o projeto do Tapajós também sofreu reveses após mobilizações de lideranças indígenas contra a dragagem, no final de 2025. Com isso, o governo suspendeu o decreto que trata da concessão e atualmente o governo segue com os estudos.

Diante desses impasses e atrasos, o governo decidiu retirar a concessão da hidrovia do Rio Tapajós da carteira de projetos prioritários para os próximos quatro anos e incluir a hidrovia do Rio São Francisco.

FONTE: CNN BRASIL